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Mariya Oktyabrskaya, a mulher que comprou um tanque para matar nazistas, após o marido ser assassinado

A combatente da União Soviética doou um T-34 ao Exército Vermelho e pessoalmente o pilotou em combate, ganhando fama por sua bravura suicida

Thais Uehara Publicado em 15/02/2020, às 09h00

Mariya Oktyabrskaya
Mariya Oktyabrskaya - Wikimedia Commons

A má notícia levara dois anos para chegar a Mariya Oktyabrskaya. Foi só em 1943 que ela ficou sabendo que seu marido, Ilya, havia sido morto em agosto de 1941, logo no começo da invasão nazista, em Kiev, Ucrânia.

Até aí, uma triste história que se repetiria inúmeras vezes no país que perderia entre 10 e 12 milhões de pessoas em combate — de longe, o maior número de perdas militares e mais que o dobro dos da Alemanha Nazista.

Mariya, porém, queria vingança. Ela pegou suas economias e enviou uma carta para Stalin.

“Meu marido foi morto em ação defendendo a pátria. Eu quero me vingar dos cães fascistas pela morte e pela morte do povo soviético torturado pelos bárbaros fascistas. Para esse efeito, depositei todas as minhas poupanças pessoais — 50.000 rublos — para o Banco Nacional, a fim de construir um tanque. Gostaria de nomear o tanque Namorada Guerreira e ser enviada para a linha de frente como motorista do referido tanque.”

Farejando boa publicidade, o Comitê de Defesa do Estado decidiu conceder seu desejo. Mariya foi alistada e treinada por 5 meses como piloto de tanques. Na torreta do T-34 a ela destinado, gravou as palavras: Боевая подруга, Namorada Guerreira. Tinha então 38 anos. 

A vingança

Mariya Oktyabrskaya / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em sua primeira batalha, em Smolensk, 21 de outubro de 1943, o Namorada destruiu posições de artilharia e metralhadora alemãs. Quando o veículo foi antigido, ignorando ordens, ela foi para fora, em meio ao fogo inimigo, e conseguiu consertá-lo. Isso rendeu a promoção a sargento.

Em 17 de novembro, na reconquista soviética de Novoye Selo, o mesmo aconteceu: seu tanque perdeu a lagarta para um tiro de artilharia e ela saiu, conseguindo consertá-lo para se juntar novamente à coluna do Exército Vermelho. Logo a fama se espalhou sobre o piloto que simplesmente não podia ser parado.

Sua carreira seria meteórica, mas curta. No dia 17 de janeiro de 1944, Mariya e sua equipe haviam cruzado as linhas alemãs e atacavam trincheiras e ninhos de metralhadoras, conseguindo destruir uma grande peça de artilharia autopropulsionada. Foi quando, no que já era rotina, um projétil antitanque atingiu a Namorada Guerreira e destruiu uma de suas lagartas.

Como de costume, a piloto saiu para tentar consertar. Consegui colocar o tanque para andar novamente, mas sua sorte havia acabado. Um fragmento da explosão de um tiro de artilharia atingiu-a na cabeça. 

Mariya entrou em coma. Dois meses depois de sua última batalha, sem recuperar a consciência, sucumbiu à sua lesão. No dia 2 de agosto de 1944 ela receberia postumamente o título de Herói da União Soviética, a maior honraria oferecida pelo governo soviético. Era a primeira mulher piloto de tanque a ter esse reconhecimento.


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