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Mary Ann Cotton, a primeira serial killer da Inglaterra

Representante ideal da feminilidade vitoriana, a mulher matou três maridos, um amante e onze de seus filhos — sem ninguém perceber

Penélope Coelho Publicado em 29/03/2020, às 16h00 - Atualizado às 20h00

Mary Ann Cotton em 1870
Mary Ann Cotton em 1870 - Wikimedia Commons

Duas décadas antes de Jack, o Estripador se tornar o serial killer mais temido da Inglaterra, Mary Ann Cotton já era uma máquina de matar, ela fez da morte seu modus operandi, sendo esse o seu estilo de vida.

Nascida em 1832, em Sunderland na Inglaterra, as mortes sem muita explicação fazem parte de sua existência desde cedo. Aos oito anos ela perdeu o pai em um acidente na mina em que ele trabalhava. Descrita por muitos como impressionantemente bonita, ela logo arrumou um casamento, o alvo foi o trabalhador William Mowbray. À partir daí que as múltiplas mortes começaram.

Óbitos inexplicáveis

Durante o casamento, eles se mudaram para a cidade de Plymouth, onde ela e William tiveram cinco filhos — quatro dos quais morreram do que todos achavam ser febre gástrica. Quando o casal voltou para o nordeste da Inglaterra, eles tiveram e perderam mais três filhos, assim, como num passe de mágica. Em 1865, William também faleceu de um distúrbio intestinal, deixando para sua viúva um conveniente pagamento de seguro.

Depois disso, ela se mudou novamente, onde encontrou Joseph Nattrass, por quem se apaixonou imediatamente, mas, ele já era casado. Durante este tempo, sua menina de 3 anos de idade morreu, deixando-a com somente com uma filha, dos nove que ela teve. Porém, ela enviou a criança para a casa de sua mãe, e se casou de novo. Dessa vez com George Ward, que morreu um ano depois da união. Mary Ann mais uma vez pegou uma quantia considerável de seguro.

Cartas que Mary Ann escreveu durante o tempo em que ficou presa / Crédito: Divulgação 

 

O terceiro marido seria James Robinson, um viúvo que tinha três filhos. As mortes misteriosas em torno da mulher não paravam de acontecer. Ela foi visitar a mãe e a filha, que morreram de febre gástrica alguns dias depois. Dois meninos de James também faleceram. Ele porém, não desconfiou que essas perdas tão próximas estavam relacionadas a sua esposa, o motivo da separação foi outro, ele achava que Mary gastava demais.

Ela foi então para o seu quarto companheiro, irmão de uma amiga de longa data, Frederick Cotton — de quem herdou o sobrenome. Morerram então: Frederick, mais um filho de Mary Ann, a irmã e o filho de Frederick. Sobrou somente um herdeiro de seu marido, Charles Cotton, nome que iria mudar a história da assassina para sempre. Enquanto isso, nenhuma surpresa, seu antigo amante Joseph Nattrass também morreu, obviamente por problemas no estômago.

A ruína

Foi o falecimento do pequeno Charles que começou a levantar suspeitas para cima de Ann, o dono de uma mercearia achou um comentário da mulher sobre o enteado muito estranho, e pediu para que um amigo policial fizesse uma autópsia no corpo do menino. Eis ai o veredito: envenenamento por arsênico. O veneno não tinha gosto, e os sintomas que ele deixava no corpo eram os mesmos de doenças comuns da época, como a febre tifoide.

Imagem ilustrativa de uma garrafa de arsênico / Crédito: Divulgação

 

O julgamento de Mary Ann durou três dias e ela foi considerada culpada pelo assassinato de Charles e responsável pelas mortes por envenenamento de 11 de seus filhos, três maridos, um amante e sua mãe.

“Você parece ter dado vazão ao mais terrível de todos os delírios: o de que você poderia executar seus planos perversos sem suspeitas.”. Essa foi a frase dita pelo juiz no tribunal, quando ele revelou sua sentença: morte por enforcamento. Inconformada, ela escreveu diversas cartas para seus parentes pedindo que eles cancelassem seu julgamento, nunca obteve resposta.

Ela foi executada por William Calcraft, em uma execução na Cadeia de Durham, em 24 de março de 1873, na frente de 50 observadores. A mulher de 40 anos foi descrita na época como um "monstro em forma humana". Mary Ann passou metade de sua vida grávida. Estes fatos foram esquecidos durante muito tempo, até que a minissérie britânica Dark Angel (2016), revisitou recentemente a história de Mary Ann — que muitos acreditam ser a primeira serial killer da Inglaterra.


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