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A enigmática múmia de Seti II, o faraó que sofreu um golpe de seu possível meio-irmão

Pouco se sabe sobre os restos mortais do egípcio e sua tumba, e isso se deve principalmente ao fato de que seu rival ordenou que seu nome fosse apagado de seu túmulo original

Isabela Barreiros Publicado em 06/05/2020, às 07h00

A múmia de Seti II
A múmia de Seti II - Wikimedia Commons

O reinado de Seti II foi marcado por disputas. O período em si era de instabilidade política no Egito Antigo, com reinados curtos causados principalmente por intrigas entre as dinastias. Durante seu governo, que ocorreu entre 1203 a.C. a 1197 a.C., muitas foram as conspirações travadas pela oposição. No entanto, uma delas fez com que seu controle saísse de suas mãos.

Entre o segundo e quarto ano de reinado, o quinto faraó da 19ª Dinastia teve seu poder questionado por Amenemessés, que também se tornou faraó. Os dois governaram paralelamente, sendo o último o responsável por Tebas e Núbia no Alto Egito. Eles eram possivelmente meio-irmãos, mas não há confirmação dessa hipótese. Seti II era filho do faraó Merneptah e sua esposa Isetnofret II.

A intriga real

Estátua de Seti II / Crédito: Wikimedia Commons

 

As desavenças de Seti II e Amenemessés eram tão grandes que, quando o segundo ganhou vantagem no poder, mandou que a tumba de seu rival fosse vandalizada. O nome do faraó parece ter sido escrito, apagado e escrito novamente em seu túmulo em um breve período.

Isso não ficaria assim: como era o legítimo herdeiro do trono, sendo filho do último faraó, Merneptah, Seti assumiu o poder novamente. E também não deixou barato. Assim, logo no começo de seu reinado solo, começou uma campanha de “damnatio memoriae”, ou seja, de "condenação da memória". Todas as inscrições do nome de Amenemessés foram condenadas e vandalizadas, apagando, pelo menos dos monumentos, a existência do inimigo.

Nessa confusão, fica difícil para historiadores, hoje, conseguirem definir o dono de uma sepultura ou até mesmo o que teria feito a múmia de Seti II não ter sido encontrada em seu túmulo original, o KV15, onde é provável que ele tenha sido originalmente enterrado.

A tumba KV15

Como Seti II foi originalmente encontrado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante seu reinado, Seti tinha a intenção de construir três tumbas: KV13, KV14 e KV15 para, respectivamente, o chanceler Bay, sua esposa, a rainha Twosret, e para si. No entanto, como seu período no poder foi muito curto — por volta de 5 anos e 10 meses ou, ainda, quase 6 anos completos quando ele faleceu — o tempo para levantar essas construções também foi breve.

Isso fez com que seu túmulo ainda estivesse incompleto no momento em que ele morreu. Talvez por isso ele tenha sido originalmente enterrado na sepultura de sua esposa, a KV14 e, depois levado para lá. Assim que a KV15 foi terminada, às pressas, ele teria sido levado para lá pelo faraó Setnakhte, que se apropriou da tumba de Twosret como se fosse sua.

No túmulo, localizado no Vale dos Reis, foram encontradas inúmeras riquezas do faraó, além da tampa de seu sarcófago. Foi o explorador inglês Richard Pococke quem descobriu o local em 1738. Mas foi apenas com o egiptólogo Howard Carter, em 1903 e 1904, que a tumba foi devidamente limpa e estudada.

Ainda assim, Seti II não foi encontrado na KV15. Sua múmia havia sido transferida para outro local, onde seria protegida de ladrões de túmulo.

A múmia

A múmia de Seti II / Crédito: Wikimedia Commons

 

O que se sabe é que sarcófagos, no geral, sempre sofriam com constantes saques feitos por vândalos. Os pesquisadores acreditam que algumas múmias apenas sobreviveram a essas drásticas situações devido a essa tentativa de proteger os cadáveres mumificados.

Durante o Terceiro Período Intermediário, algumas múmias de importantes faraós foram transferidas para a tumba KV35. Originalmente, ela pertencia a Amenhotep II, mas, com o tempo, outras figuras foram guardadas no local, como Seti II.

O túmulo, encontrado pelo egiptólogo francês Victor Loret em 1898, pode ser considerado uma espécie de esconderijo para múmias do Egito Antigo. Lá, foram armazenados, além dos faraós já citados, Tutmés IV e Ramsés IV, V e VI, por exemplo.

Pouco se sabe sobre a múmia de Seti II, seu reinado e sua tumba original, a KV15. O que temos apenas são fotografias de seu corpo mumificado, a tampa de seu sarcófago e as paredes decoradas de seu túmulo. Tanto a antiguidade quanto as conspirações do período de seu governo podem ter dificultado a conservação de informações sobre a sua história.


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