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Sem pés e nariz quebrado: a degradada múmia do faraó Tutmés III

A ação de ladrões de túmulos fez com que corpo mumificado chegasse aos dias de hoje extremamente danificado

Isabela Barreiros Publicado em 09/05/2020, às 07h00

A múmia de Tutmés III
A múmia de Tutmés III - Wikimedia Commons

Uma enorme tumba, localizada na necrópole de Tebas, no Egito, abriga pelo menos 50 restos mortais de faraós, rainhas e nobres do Egito Antigo. Amósis I, Tutmés I, Tutmés II, Seti I, Ramsés I, Ramsés II, Ramsés IX e Amenófis I foram alguns dos faraós encontrados guardados no local, conhecido como a tumba de Deir el Bahri. O túmulo DB320 também conta com muitos equipamentos fúnebres dessas pessoas.

O que se sabe é que sarcófagos, no geral, sempre sofriam com constantes saques feitos por vândalos. Os pesquisadores acreditam que algumas múmias apenas sobreviveram a essas drásticas situações devido a essa tentativa de proteger os cadáveres mumificados. Isso teria acontecido quando, em algum momento durante a dinastia 21, pessoas coletaram algumas múmias e as colocaram em uma outra tumba, para, assim, enganar saqueadores. A técnica funcionou, visto que hoje ainda temos acesso a inúmeras delas.

Deir el Bahri / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por isso, ele pode ser considerado um impressionante esconderijo que guardou durante muito tempo essas relíquias. No entanto, algumas múmias já estavam muito degradadas antes de serem colocadas dentro do túmulo. Dentre elas, a múmia do faraó Tutmés III foi uma das que mais sofreu nas mãos dos ladrões de túmulos, que a deixaram em péssimas condições.

O faraó

A cabeça de Tutmés III / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tutmés III foi o sexto faraó da 18º Dinastia do Egito Antigo. Filho do rei Tutmés II e sua esposa secundária, Iset, o governante permaneceu um longo tempo no poder: por volta de 54 anos. Geralmente seu reinado é datado de 24 de abril de 1479 a.C. a 11 de março de 1425 a.C., mas isso conta com o período em que ele foi co-regente do Egito com sua madrasta e tia, Hatshepsut.

O egiptólogo estadunidense Peter Der Manuelian considera que o faraó morreu após completar "53 anos, 10 meses e 26 dias" de governo, de acordo com uma inscrição encontrada no túmulo do rei Amenemés I. Ele teria “assumido” o poder aos 2 anos, juntamente com sua tia, que foi nomeada faraó.

Ele foi um dos responsáveis pela união do Egito Antigo, formando um grande império a partir da conquista de territórios no Reino Niya, ao norte da Síria, e algumas localidades na Núbia, a partir de 17 campanhas conduzidas por seu governo. Seu período também foi marcado por mudanças artísticas e estilísticas de esculturas e pinturas.

Principalmente devido a isso, ficou conhecido, ainda, por ter construído pelo menos 50 templos ao longo de seus mais de meio século de regência. Muitos deles são conhecidos apenas devido a registros escritos e ilustrados, por terem se transformado em ruínas durante os anos.

Restos mortais

A cabeça de Tutmés III / Crédito: Wikimedia Commons

 

O túmulo de Tutmés III, o KV34, foi descoberto pelo egiptólogo francês Victor Loret no ano de 1898. Assim que o faraó faleceu, foi sepultado em sua tumba construída no Vale dos Reis, como muitas importantes figuras do mesmo período. Porém, não foi lá que sua múmia foi encontrada.

Na verdade, ele havia sido levado até o esconderijo em Deir el Bahri. Foi o arqueólogo alemão Émile Brugsch, em 1881, o responsável por desembrulhar o corpo mumificado, que estava especialmente danificado pelos ladrões de tumba. Ela foi enrolada novamente e foi “oficialmente” descoberta em 1886, pelo francês Gaston Maspero.

O egiptólogo descreveu as condições na qual ele foi encontrado: “sua múmia não estava escondida em segurança, pois no final da 20º dinastia foi arrancada do caixão por ladrões, que a despiram e estriparam as joias com as quais estavam cobertas, ferindo-a na pressa de levar a estragar”. Ele media 1,615m, mas seus pés haviam sido retirados de seu corpo, o que indica que ele era mais alto. No entanto, felizmente, seu rosto não estava tão degradado.

“O rosto, que estava coberto de breu no momento do embalsamamento, não sofreu nada com esse tratamento áspero e parecia intacto quando a máscara protetora foi removida. A testa é anormalmente baixa, os olhos profundamente afundados, a mandíbula pesada, os lábios grossos e as bochechas extremamente proeminentes; o conjunto recorda a fisionomia de Tutemés II, embora com uma demonstração maior de energia”, descreveu Maspero.


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