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Massacre de My Lai: Há 49 anos, começava o controverso julgamento de William Calley

Até hoje, o tenente americano é o único que respondeu legalmente pela morte de centenas de vietnamitas em 1968. Entretanto, Richard Nixon conseguiu a sua "liberdade"

André Nogueira Publicado em 17/11/2019, às 11h33

Tenente Calley é fotografado assustado a caminho do julgamento, nos anos 1970
Tenente Calley é fotografado assustado a caminho do julgamento, nos anos 1970 - Getty Images

No auge da Guerra do Vietnã, um pelotão estadunidense comandado pelo tenente William Calley assassinou centenas de civis vietnamitas na aldeia de My Lai, em 1968. Dois anos depois, o comandante responsável pelo brutal massacre foi parar nos tribunais, manchando a imagem dos EUA e descredibilizando sua presença na Indochina.

Em março de 1970, soldados dos EUA foram indiciados pelos crimes de guerra ocorridos em My Lai, mas apenas em novembro foi iniciado o julgamento responsável pela condenação do principal suspeito por liderar o episódio.

Os jornais comparavam o caso com o ocorrido em Lídice e em Oradour-sur-Glane, durante as campanhas nazistas, aproximando o fato de um genocídio. 

Civis mortos em My Lai / Crédito: WIkimedia Commons 

 

"Não há dia que passe que não sinta remorso pelo que ocorreu naquele dia em My Lai", disse Calley em 2009, para um pequeno público. Para o tenente americano, o ocorrido e o julgamento são momentos absolutamente traumatizantes, que causaram eterno arrependimento.

Segundo Calley, seu pelotão recebia ordens de cima, mas mesmo assim, a acusação de assassinato contra 102 civis e estupros de mulheres sobreviventes levou à condenação de Calley a prisão perpétua.

No entanto, a pedido do presidente Richard Nixon, Calley foi solto, podendo responder em liberdade. Depois de diversos artifícios jurídicos, o tenente acabou cumprindo pouco mais de três anos em prisão domiciliar. 

Calley é encaminhado á prisão domiciliar em 1975 / Crédito: Getty Images

 

“Se me perguntar por que não me neguei a isso quando recebi a ordem, tenho que dizer que era um tenente que recebia ordens do meu comandante e as cumpri, estupidamente", relatou Calley, friamente, após 40 anos de silêncio.

Até hoje, o processo de Calley é contestado pela Comunidade Internacional, que caracteriza o julgamento como um episódio repleto de incidências ilegais, em que o exército americano teria encoberto fatos. Muitos defendem que Calley não passou de um bode expiatório. Atualmente, o antigo combatente mora em Colombus, na Geórgia e trabalha em um negócio de joias. Todavia, o massacre causa insônia até os dias atuais.


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