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Na própria Ditadura, o nazismo era definido como uma ideologia de direita

Declaração pública do DOPS rebate a narrativa que aproxima a direita militarista à ideia de um "nazismo de esquerda"

André Nogueira Publicado em 24/08/2019, às 08h00

Ditadura no Brasil
Ditadura no Brasil - Reprodução

O Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), principal órgão da repressão na ditadura militar, era uma instituição de pleno objetivo de manutenção de regimes direitistas outorgados no Brasil em 1937 e 1964.

O departamento, ligado as militares, criado em 1924, estruturado e legitimado na Era Vargas, era responsável pela manutenção disciplinar da ordem militar e da sociedade civil. Sua história é marcada pela investigação e pelo uso da tortura.

Porém, em um comunicado enviado ao jornal Estado de São Paulo em 27 de julho de 1949, pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo, ainda em período democrático constitucional, o DOPS declara abertamente o caráter direitista do regime nazista e o ímpeto da instituição de combater esse tipo de ideologia, em declaração intitulada "Um Caso de Polícia".

"Vigilantes estamos para todas as formas de extremismo aqui alimentadas, sejam da esquerda, como o comunismo, sejam da direita, como o fascismo e o nazismo. Permanecemos na nossa mesma linha de conduta, linha observada desde o advento da política de carreira deste Estado", declarou o antigo órgão policial.

Confira o comunicado.

Crédito: Reprodução

 

A declaração tem um tom de resposta por parte do órgão policial após acusações pela sociedade civil e por jornalista da própria plataforma de que o DOPS estaria colaborando, ou pelo menos facilitando através de baixa repressão, com a tentativa de implantar um regime nazifascista no estado de São Paulo.

Veja que no comunicado, o nazismo e o comunismo são colocados em posições antagônicas, mesmo que ambas sejam declaradas antidemocráticas no documento.

Diferentemente de certo discurso contemporâneo que tenta aproximar ideologicamente o nazismo de Hitler às teses marxistas, membros da sociedade que conviveram com a experiência do nazismo na época em que ocorreu não equiparam o socialismo soviético do nazismo alemão entendendo sua maior aproximação (pelo alinhamento ideológico que é claro) em relação ao fascismo italiano, marcado por Mussolini.