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A farsa das 4 estações: Por que falamos em primavera, verão, outono e inverno?

Nós trópicos, as estações são tão artificiais quanto neve no Natal

Simone Bitar Publicado em 16/01/2020, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

O número 4 é uma convenção baseada na astronomia, que não reflete necessariamente a temperatura e os fenômenos ambientais, e não é adotada de forma igual em todo o mundo. Tradicionalmente, os indianos consideravam que o ano tem 6 diferentes estações, enquanto os chineses o dividem em 24, e os aborígenes australianos, em 5. Mesmo em lugares onde o número de estações é 4, o dia em que começam não é consenso. Na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, o verão começa no dia 1º de dezembro, em vez do dia 21 ou 22, como no Brasil.

No Brasil, assim como na maioria dos países, as estações são marcadas pela diferença na duração de dia e noite, ou solstícios e equinócios, que são 4 ao longo do ano. Os solstícios, que caem em 21 ou 22 de dezembro, e 20 ou 21 de junho, são os dias com maior diferença.

O dia mais longo do ano é o solstício de verão, e a noite mais longa, o solstício de inverno. Equinócios, caindo em março e setembro, são quando noite e dia têm exatamente a mesma duração. Esses dias marcam o começo das estações, para os países que seguem a regra da Organização Meteorológica Mundial.

Solstícios e equinócios são indicadores confiáveis da incidência de luz solar, mas não do clima. Se dependesse apenas da insolação, o solstício deveria ser o meio e não o começo de verão e inverno - mas há um atraso de semanas por causa do aquecimento e resfriamento dos oceanos.

A divisão pode não ser perfeita em lugar nenhum, mas é muito menos  no Brasil. Na maioria do país, ela não serve para nada: entre os trópicos e o Equador, faz calor o ano inteiro e a diferença na duração de dia e noite é irrisível. Tanto que não existe horário de verão nos estados do Norte e Nordeste, já que não há diferença no comprimento do dia. Há duas estações práticas nos trópicos: de chuva ou seca. 

Claudio Furukawa, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, explica que primavera e outono, na maioria do Brasil, são só importações da Europa. Tão fútil quanto neve no Natal. "O fato de que colocamos efeitos que simulam neve na árvore de Natal é um dos indícios de que festejamos a data de maneira que não pertence ao nosso clima".


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