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Neste dia, em 1798, nascia dom Pedro I

O filho mais velho de dom João, foi criado com desleixo. No entanto, acabaria revelando habilidade política e ambição que mudariam os rumos do Brasil​

Reinaldo José Lopes Publicado em 12/10/2019, às 00h00

Representação do Imperador
Representação do Imperador - Wikimedia Commons

O Rio de Janeiro, que se transformou na capital do império português com a fuga de dom João, logo se acostumou a um ritual antiquado, o chamado beija-mão.

De ministros a escravos, todos podiam comparecer à sala do trono e beijar a mão do regente e de sua família, mas muita gente devia soltar um suspiro na hora de saudar um principezinho de dez anos, dom Pedro, filho mais velho de dom João.

O menino esperava os lábios do súdito tocarem sua mão para dar um peteleco no nariz do coitado, desatando a rir com o irmão mais novo, dom Miguel, que também aderira à brincadeira.

Quem via a cena talvez pudesse prever que o menino seria incontrolável quando crescesse. Foi o que aconteceu. O futuro imperador teve uma adolescência comum. Não tinha quase nada de príncipe, mas o contato com a população, o namoro com ideias liberais e a ambição acabaram por colocá-lo à frente do movimento que tornaria o Brasil independente.

Enquanto os preceptores de dom Pedro tentavam ensinar-lhe latim, inglês, francês e literatura, o herdeiro de dom João preferia mexer na oficina de marceneiro, onde fez até uma mesa completa de bilhar.

Além de cavalgar como ninguém, o príncipe também cuidava dos próprios cavalos e orgulhava-se de seus dotes de ferreiro. Contam que, certa vez, teve de pedir que trocassem a ferradura de sua montaria. Dom Pedro, no entanto, achou que o ferreiro estava fazendo serviço malfeito. Não teve dúvidas: soltou um “Sai daí, porcalhão” e acertou ele próprio a ferradura.

O primeiro imperador do Brasil / Crédito: Wikimedia Commons

 

O rapaz dominou cedo o uso de espadas e armas de fogo, tornando-se exímio caçador. Tinha certo talento para a música e um dom ainda maior para as piadas obscenas, que aprendia com os cavalariços. Louco por mulheres, sua entrada na casa de algumas das principais famílias cariocas chegou a ser proibida, na tentativa de preservar a honra das donzelas.

Pouca coisa mudou na vida despreocupada de dom Pedro quando ele e a princesa austríaca dona Leopoldina se casaram, em 1817. Mas, conforme os anos passavam, crescia a pressão portuguesa para que o agora rei dom João VI – coroado um ano depois do casamento do filho – voltasse para sua terra natal. Portugal sofria com uma impopular ocupação britânica e com a perda de sua posição de metrópole.

Pressão dos militares

Dom João, como de costume, hesitava. Não queria deixar o Rio e também tinha medo de mandar dom Pedro para Lisboa como seu representante, pois temia ser usurpado pelo filho. Ao mesmo tempo, as tropas portuguesas instaladas no Brasil pressionavam o rei para que jurasse respeitar a Constituição liberal, que estava sendo elaborada em Portugal desde 1820.

Dom Pedro estava a par das reivindicações dos liberais e dos riscos de uma rebelião contra o monarca. Por isso negociou com os militares portugueses a assinatura de um juramento pró-constituição por seu pai. Apavorado, dom João topou.

Dom Pedro foi buscar o pai para que ele fizesse o juramento em público. A multidão desarreou os cavalos e levou em seus braços a carruagem de dom João, que se comprometeu publicamente a aceitar a Constituição em 26 de fevereiro de 1821.

Conta-se que as tropas tentaram aclamar dom Pedro, mas, aparentemente fiel ao pai, ele sempre gritava “Viva el-rei, nosso senhor, viva meu pai”. Dom João afinal decidiu nomear o filho como regente do Brasil, ao partir para Portugal, em 26 de abril. Do outro lado do Atlântico, dom João era esperado por liberais que queriam recolonizar o Brasil e que seriam derrotados pelo herdeiro do rei.


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