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Watergate: Há 45 anos, Nixon renunciava o cargo de presidente dos EUA

O envolvimento em um dos maiores escândalos políticos do país abarrancou a carreira política do 37° presidente norte-americano

Fabio Previdelli Publicado em 09/08/2019, às 08h00

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Crédito: Reprodução

“Depois de minha conversa com os membros do congresso e outros dirigentes, cheguei a conclusão de que o caso Watergate me privou do apoio do congresso, que considero necessário para tomar as decisões mais difíceis e cumprir com as responsabilidades deste cargo de acordo com o interesse da nação.  Portanto, eu renunciarei à presidência efetivamente ao meio-dia de amanhã. O vice-presidente Ford, prestará juramento como presidente nessa mesma hora, neste gabinete”.

Aparentemente calmo e falando com um tom de voz firme e inalterado, assim foi a postura de Richard M. Nixon anunciando que renunciaria ao cargo de presidente dos Estados Unidos, em discurso feito há 45 anos no Salão Oval e que foi transmitido através das redes de televisões do mundo todo.

Richard Nixon durante seu discurso de renuncia / Crédito: Wikimedia Commons

 

A partir dali, o 37º presidente dos Estados Unidos entraria para a história, sendo o primeiro entre eles — e único até hoje — a renunciar ao cargo. O escândalo envolvendo o homem mais poderoso do mundo começou há cerca de dois anos antes, ainda no período de eleições americanas, quando cinco homens foram presos ao invadir e grampear ilegalmente a sede do Comitê Nacional dos Democratas. Partido concorrente de Nixon naquelas eleições.

O caso foi investigado ao longo de vários meses por dois jornalistas novatos do jornal The Washington Post. Carl Bernstein e Bob Woodward descobriram que um dos invasores tinha o nome na folha de pagamento do comitê da reeleição de Nixon, este seria só o inicio da bola de neve do maior escândalo político dos Estados Unidos.

Seguindo informações de uma fonte anônima, conhecida como Garganta Profunda, os dois jornalistas passam a descobrir novos fatos que relacionavam Nixon ao caso. Os encontros com o Garganta Profunda eram feitas de maneira ultra secreta, a fonte anônima somente confirmava ou negava a autenticidade das informações apuradas por eles.  

O caso terminou com a condenação de dois assessores e quatro integrantes da equipe presidencial. Em suas últimas palavras, Nixon disse que “ao tomar esta atitude [renúncia], eu espero poder apressar o início do processo de cura, que é tão desesperadamente necessário na América”.

Nixon embarcando pela última vez no helicoptero pesidencial / Crédito: Wikimedia Commons

 

No dia seguinte, Nixon entrou com sua família em um helicóptero dos jardins da Casa Branca. Assim, ele deixaria para trás toda a esperança de uma nação que o reelegeu com uma grande vantagem de votos, e levou consigo o status de governante mais impopular na história do país — posto que divide com George W. Bush.

O política morreu em 22 de abril de 1994, aos 81 anos de idade. E quatro anos depois o mundo descobriria a identidade do Garganta Profunda, trata-se de Mark Felt, segundo homem do FBI na época.