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Para historiador, Papa Francisco derruba o Evangelho e se aproxima da Maçonaria

Professor emérito da Universidade de Roma, Roberto de Mattei critica documento assinado pelo Papa em Abu Dhabi como traição do passado e da doutrina

Letícia Yazbek Publicado em 07/02/2019, às 16h30

Papa Francisco e Ahmad el-Tayeb, em Abu Dhabi
Getty Images

Na última terça-feira, 5 de fevereiro, o Papa Francisco concluiu uma visita oficial aos Emirados Árabes Unidos. A viagem representou um marco nas relações inter-religiosas em todo o mundo: foi a primeira vez que um chefe da Igreja visitou um país da Península Arábica. Durante a visita, o Papa se reuniu com 150 líderes religiosos e assinou o Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum, com Ahmad el-Tayeb, Grande Imame da Mesquita Al-Azhar do Egito.

A aproximação tem sido celebrada na maior parte do mundo. Católicos tradicionalistas - incluindo teólogos e historiadores -, no entanto, acreditam que as declarações do Papa Francisco feitas durante o evento derrubam a doutrina do Evangelho. Em outras palavras, que o Papa é um herege.

O Documento sobre a Fraternidade convida “todas as pessoas que têm fé em Deus e fé na fraternidade humana a unirem-se e trabalharem juntas para que sirvam de guia às futuras gerações para promover uma cultura de respeito mútuo na consciência da grande graça divina”.

Papa Francisco celebra missa em Abu Dhabi Getty Images

Comentando sobre a Arca de Noé, o Papa afirmou: "De acordo com o relato bíblico, a fim de preservar a humanidade da destruição, Deus pediu a Noé que entrasse na arca junto com sua família. Nós também em nome de Deus, a fim de salvaguardar a paz, precisamos entrar juntos como uma família numa arca que pode navegar pelos mares tempestuosos do mundo: a arca da fraternidade ”.  

Para o historiador e católico tradicionalista Roberto de Mattei, o documento e as recentes declarações do Papa Francisco estão em descontinuidade com os ensinamentos dos papas Gregório XVI a Pio XI e o Quarto Concílio de Latrão, convocado pelo Papa Inocêncio III em 1213.

“Se os homens, de fato, em nome da fraternidade, são obrigados a viver juntos sem um fim que dê sentido ao seu sentido de pertencimento, a Arca se torna uma prisão, e a fraternidade - imposta em palavras - é destinada à fragmentação e ao caos”.

Papa Francisco e Ahmad el-Tayeb assinam o Documento sobre a Fraternidade Reprodução

Além disso, segundo de Mattei, a ideia de fraternidade, nova palavra de ordem do atual pontificado, se alinha aos ideais da Maçonaria, condenada pela Igreja. A Maçonaria é ecumênica, exigindo apenas o reconhecimento do Grande Arquiteto do Universo – a religião da pessoa sendo livre (inclusive nenhuma, se acreditando em Deus dessa forma geral). 

“Na realidade, a Maçonaria continua a ser condenada pela Igreja, mesmo que os homens da Igreja, nos mais altos níveis, pareçam abraçar suas ideias. Mas o ensinamento do divino Mestre continua a ressoar em corações fiéis: lá o amor pelo próximo só pode ser baseado no amor a Deus. E sem referência ao Deus verdadeiro, que só pode ser amado dentro da Arca da Salvação da Igreja, a fraternidade é apenas uma palavra vazia que esconde o ódio de Deus e do próximo.”

Segundo Chad Pecknold, professor de teologia da Universidade Católica da América, as declarações são controversas, mas devem ser interpretadas dentro de seu contexto. “A ideia de que Deus deseja a diversidade de cor, sexo, raça e idioma é facilmente compreendida, mas alguns podem achar intrigante ouvir o Vigário de Cristo falar sobre Deus querer a diversidade das religiões”. 


Com informações de LifeSite News