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O conflito sanguinário entre PCC e o Comando Vermelho

O assassinato de um piloto de helicóptero no ano passado reascendeu o confronto entre as facções que perdura por quase uma década

Fabio Previdelli Publicado em 23/02/2020, às 11h00

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Imagem ilustrativa - Getty Images

Ao contrário do que muitos imaginam, a Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai não é o principal caminho para o comércio ilegal de drogas. A rota preferida de traficantes fica situada mais ao norte, entre as cidades de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Aliás, foi nesta última que, em 27 de março de 2019, ocorreu um dos mais recentes capítulos sangrentos da guerra entre as maiores facções criminosas do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Na ocasião, um grupo de dez criminosos protagonizou um tiroteio cinematográfico que tinha como alvo o piloto de helicóptero Fernando Olmedo, mas que também acabou vitimando Sandro Arredond, médico e vice-diretor de uma faculdade paraguaia.

A relação PCC e CV nunca foi amistosa. O conflito entre eles havia começado há cerca de uma década, quando passaram a disputar mercados locais em áreas estratégicas. Com o passar dos anos, a rixa só se intensificou. No meio de 2016, uma morte importante marcou a disputa: a de Jorge Rafaat, principal intermediário do tráfico de cocaína na fronteira com o Paraguai. Até hoje há uma dúvida sobre qual das duas gangues foi a mandante do crime.

Porém, a certeza que ficou é que o principal beneficiado com o fim de Raffat foi Primeiro Comando, que assumiu a lacuna deixada pela morte do intermediário. A partir daí, outros eventos se sucederam e o período entre o final de 2016 e o ano posterior se tornou um dos mais sangrentos da guerra entre eles.

Assim, os moradores das cidades em disputa passaram a ser amedrontados pelo certame das biqueiras. Vale ressaltar que o clima conflituoso também foi levado para as fronteiras, o que resultou na morte de diversos membros e aliados de ambos os grupos. A polícia paraguaia também agiu e prendeu diversos líderes locais das duas organizações. Contudo, isso não impediu que cocaína boliviana continuasse sendo transportada por aquela região, assim como a maconha do Paraguai.

O grande ponto a ser discutido, não são as drogas em si, mas toda a letalidade e derramamento de sangue que permeia sua comercialização Em vários estados, traficantes continuam trocando tiros e matando policiais. Já a população, fica no meio desse fogo cruzado, às vezes, tendo um final trágico.

Mesmo com uma considerável queda no número de homicídios em 2018, cerca de 12%, o que poderia representar um armistício entre as facções, a única certeza que permanece é: ninguém sabe o que está acontecendo nos bastidores da guerra.


+Para saber mais sobre as duas facções:

A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias (Ebook) - https://amzn.to/37P5bKb

Irmãos: Uma história do PCC, de Gabriel Feltran (2018) - https://amzn.to/37Tfflv

Laços de Sangue. A História Secreta do PCC, de Marcio Sergio Christino e Claudio Tognolli (2017) - https://amzn.to/2VaGViN

CV – PCC: A Irmandade do Crime: A Irmandade do crime, de Carlos Amorim (2013) - https://amzn.to/2P8W4gT

Comando Vermelho, de Carlos Amorim (2011) - https://amzn.to/2v3PAsE

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