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Há 68 anos, o general Fulgencio Batista implantava a ditadura em Cuba

Após ficar claro que o partido de Batista nunca ganharia a eleição, os militares decidiram assumir o governo na base da força

André Nogueira Publicado em 10/03/2020, às 10h49

Batista na campanha que antecedeu o golpe
Batista na campanha que antecedeu o golpe - Getty Images

Em plenos anos 1950, Cuba passava por um momento de conturbação que só seria alterado após a Revolução. Com a aproximação da eleição, tudo indicava que o Partido do Povo Cubano – Ortodoxo, de fundamentos socialistas liberais, sairia vitorioso, e os conservadores radicais, ligados ao Exército, não enxergavam o quadro com bons olhos. O que desencadearia o golpe que transformaria Fulgencio Batista num ditador.

Batista, representando o Partido de Ação Unitária, representava um movimento de mudança e reorganização do Estado e, com isso, conseguiu incentivar uma série de mobilizações políticas que aproximavam o povo às Forças Armadas e, ao mesmo tempo, criava um sentimento de desconfiança do governo, retratado como incapaz de manter a ordem e assegurar o direito à propriedade.

Em plena Guerra Fria, o medo da mutação drástica do sistema produtivo tinha grande influência nos processos políticos da América, e os militares insatisfeitos, que tinham o apoio dos EUA, enxergaram no golpe de Estado uma oportunidade para a tomada do poder. Então, os aquartelados projetaram a queda do então presidente Carlos Prío, vendo em Batista a continuidade do programa ditatorial.

Batista discursa em 1952 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, os cubanos conservadores de uniram para a derrubada do presidente e a substituição pelo vice-presidente, que seria facilmente controlado por Fulgencio. Então, no início de março de 1952, deu-se início o “cuartelazo”, o motim generalizado dos quartéis. O projeto original rapidamente foi freado, e Batista assumiu os poderes do governo cubano como presidente provisório. Na prática, tomara o cargo interinamente.

Em seguida, passou a realizar reformas de fortalecimento dos poderes dos militares, fazendo subir em patentes os membros de seu círculo interno. Também abriu a ilha para os empresários dos EUA, criando uma espécie de paraíso fiscal para cassinos, bordéis, bancos e empreendimentos extratores. Aumentou o salário das forças de segurança, baniu o direito à greve e lhe concedeu um salário exorbitante.

O Congresso foi fechado e os poderes foram transferidos ao Conselho de Ministros do presidente. Cada vez mais, uma sangrenta ditadura se fundamentava, sendo que muitos partidos da oposição passaram a fazer coro a Batista, como forma de manutenção das posições políticas. Já os estudantes, tentaram barrar os despotismos do novo presidente, chegando a pegarem em armas.

Batista com o Chefe do Estado Maior do Exército dos EUA, Malin Craig / Crédito: Wikimedia Commons

 

“As declarações do general Batista em relação ao capital privado foram excelentes. Elas foram muito bem recebidas e eu sabia, sem dúvida, que o mundo dos negócios fazia parte dos apoiadores mais entusiasmados do novo regime”, declarou o embaixador estadunidense em Havana com a ascensão do novo líder. O país foi o principal apoiador dessa ditadura, que loteou Cuba e abriu espaço para a solução violenta revolucionária.


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