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Guerreiras esquecidas: as batalhas femininas de gladiadores

Dividindo opiniões, historiadores discutem sobre mulheres que protagonizaram grandes embates em arenas

Isabela Barreiros Publicado em 10/07/2020, às 11h51 - Atualizado às 11h52

Estátua que representaria uma gladiatrix
Estátua que representaria uma gladiatrix - Divulgação/Alfonso Manas, Universidade de Granada

Pesquisadores afirmam que há evidências de que mulheres também eram gladiadores em lutas na Roma Antiga. Ainda se sabe pouco sobre a história dessas guerreiras, mas a estatueta de uma “gladiatrix”, termo para o equivalente feminino de gladiador, revela um pouco sobre a existência das mulheres que lutavam.

Alfonso Manas, professor da Universidade de Granada, discorda da opinião de historiadores que, antigamente, pensavam que a moça estava segurando um strigil, uma lâmina curva usada para raspar o suor e a sujeira do corpo. Para o pesquisador, o artefato, na verdade, é uma sica, uma ferramenta usada por uma variedade de gladiadores romanos, conhecidos como thraex ou trácio.

O estudo, publicado em 2012 na National Geographic, defende que ela era uma gladiatrix que havia vencido uma batalha. Isso por conta de seu posicionamento: ela olha para baixo e levanta a lâmina para cima. Além disso, a guerreira estava usando um pano em volta de seus quadris, o que excluiria a possibilidade do banho.

De acordo com o Ancient History Encyclopedia, as mulheres eram referidas por inúmeros nomes na época, como ludia, mulieres e amazonas. Documentos também mostram que existiam leis para combater essas lutas. Em 11 d.C., o Senado romano proibiu uma mulher nascida livre, com menos de 20 anos de idade, de se tornar gladiadora. “Livre” sugere que as escravas não sofriam com as mesmas penas.

Durante o reinado do imperador Nero, de 54 a 68 d.C., o historiador romano Cassius Dio descreveu um festival de lutas de gladiadores, também do sexo feminino, que foi realizado como uma homenagem à mãe do imperador. “Homens e as mulheres não apenas da classe equestre, mas também da ordem senatorial, [...] dirigiram cavalos, mataram bestas selvagens e lutaram como gladiadores, alguns de bom grado e outros feridos contra sua vontade.”

Relevo em mármore de duas gladiatrizes encontrado em Halicarnassus, hoje localizado no Museu Britânico, em Londres, na Inglaterra / Crédito: The British Museum

 

Mas foi no ano de 200 d.C. que o Imperador Severus proibiu os espetáculos de gladiatrices. Ele afirmava que o ato era uma ameaça à ordem social e um desrespeito a mulheres no geral. Preocupado com a possível participação das mulheres nos Jogos Olímpicos, a solução do imperador foi proibir as lutas.

Hoje, pesquisadores analisam as poucas evidências históricas restantes sobre essas gladiadoras, o que permite que possamos saber um pouco mais sobre a vida das mulheres que decidiram aventurar-se nas lutas.


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