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Triângulos do Holocausto: o cruel sistema de identificação nos campos da morte nazistas

Os partidários de Hitler criaram um sistema de triângulos coloridos para identificar os prisioneiros de guerra

André Nogueira Publicado em 27/11/2019, às 08h00

Prisioneiros de guerra da Alemanha, que foram enviados para os campos de concentração por serem homossexuais
Prisioneiros de guerra da Alemanha, que foram enviados para os campos de concentração por serem homossexuais - Wikimedia Commons

Quando falamos do Holocausto, muitos ainda tem em mente que Hitler perseguiu somente judeus, no entanto, esse é um erro crasso: muitas foram as comunidades levadas aos campos de concentração, como ciganos, homossexuais, anarquistas, imigrantes e dissidentes sociais, que eram vistos como ameaças à soberania ariana.

Para que esse genocídio ocorresse, no nível organizativo que teve durante a Segunda Guerra, os nazistas criaram marcas específicas para cada grupo minoritário perseguido, que eram costurados nos uniformes dos prisioneiros.

Cartaz de 1936 explica aos alemães o significado das cores / Crédito: Wikimedia Commons

 

Cada marca representaria uma categoria de dissidentes do regime, e eram reconhecidos pelos oficiais dos campos na hora de separar os grupos e enviá-los a suas respectivas funções nos campos de trabalho forçado.

A existência dessas marcas aumentou a capacidade de extermínio dos campos, pois os nazistas não precisavam tentar se comunicar com os prisioneiros, que vinham de nacionalidades e falavam idiomas diferentes, para identificá-los.

TRIÂNGULO AMARELO

Como principal marca dos campos, era costurada para identificar os judeus. O mais comum para esse grupo era o uso de dois triângulos que, em direções opostas e sobrepostas, formavam a Estrela de Davi. Normalmente, essa identificação acompanhava o escrito jude ("judeu" em alemão).

Porém, em campos de concentração menos centrais e para aqueles que eram presos por ascendência judaica ou serem parcialmente judeus (na visão eugenista) recebiam o triângulo amarelo.

TRIÂNGULO AZUL

O azul era a marca que os nazistas grudavam para identificar imigrantes não germânicos que entraram no Reich ou foram capturados em regiões ocupadas pelo Império. Um dos principais alvos desse triângulo eram os refugiados e prisioneiros que escaparam da Guerra Civil Espanhola e foram para a França dominada pelos nazistas em 1940. Declarados apátridas, esses imigrantes costumavam ir para campos de trabalho e, depois, eram deportados.

TRIÂNGULO VERMELHO

Um dos principais alvos da máquina de assassinatos do Reich nazista foi a oposição política à esquerda, cujos membros foram mortos em maior número até mesmo que o genocídio étnico. Entre eles, estavam os anarquistas, os sociais-democratas, os comunistas, os liberais e os maçons.

No uniforme: número do prisioneiro, triângulo vermelho indicando ser opositor político e um "F", indicando ser francês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como a noção tórpida do bolchevismo cultural era uma das bases para o discurso nazista que legitimava a morte dos dissidentes políticos, a cor vermelha ficou era o símbolo desse grupo.

TRIÂNGULO PRETO

Na visão corporativa do nazismo, todos deveriam manter uma postura alinhada às vontades do Führer, e desvios sociais aparentemente simples eram considerados erros mortais. Entre os considerados “desalinhados” ou “antissociais”, estavam as lésbicas e as mulheres que não se opuseram aos seus maridos. 

Entre elas, estavam as feministas, as grevistas, alcóolatras, deficientes e as militantes políticas, que recebiam a marca do triângulo negro. Havia também a junção de um desses polígonos pretos com um amarelo, para arianos que se casaram com judias.

TRIÂNGULO MARROM

Outro alvo étnico dos nazistas, menos conhecidos que os judeus, foram os ciganos, principalmente romanis e sintis, que são um povo sem terra que circula pela Europa. Esses grupos eram marcados pelo pano castanho.

TRIÂNGULO ROSA

Homossexuais do gênero masculino eram vistos como aberrações sociais e uma ameaça à prosperidade social, que mereceriam a completa extinção por negarem os compromissos naturais da família ariana.

Assim como foi feito em outras ditaduras, os homossexuais foram perseguidos e exterminados na Alemanha. Na guerra, os nazistas associaram essa classe à cor rosa, geralmente vista como do universo feminino. Por isso, aos homossexuais eram dedicados os triângulos rosa.

TRIÂNGULO VERDE

Entre os enviados para os campos de concentração estavam os criminosos comuns, que não eram necessariamente perseguidos pelo discurso totalitário do Partido Nazista, mas eram vistos como ameaças ao funcionamento integral da sociedade. Por isso, eram tratados como qualquer criminoso digno do isolamento nos campos. Para essas pessoas, eram usados os triângulos verdes.

Além da identificação de grupo, cada prisioneiro era marcado com um código individual com uma tatuagem no braço / Crédito: Wikimedia Commons

 

TRIÂNGULO ROXO

Essa cor ficou dedicada a um grupo específico de presos políticos: aqueles que eram dissidentes do regime por conta de uma consciência religiosa. Além dos padres católicos e protestantes, que usavam sua posição para ajudar a oposição à ditadura hitlerista, havia as Testemunhas de Jeová.

Este último grupo pisou nos calos de Hitler: é primordial para as Testemunhas de Jeová que ninguém além de deus receba um tipo de saudação ou honraria. Isso entrava em conflito direto com a adoração a Hitler e à própria institucionalização do Sieg Heil. Os religiosos também se recusavam a participar da Guerra e a renegar a fé em benefício da serventia ao Führer e, por isso, foram perseguidas.


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