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A macabra Unidade 731: as atrocidades do Japão na Segunda Guerra

Prisioneiros chineses foram usados em experimentos para verificar os danos de uma bomba e até mesmo os efeitos da alta pressão

Caio Tortamano Publicado em 05/01/2020, às 09h00

Um dos prédios da Unidade 731
Um dos prédios da Unidade 731 - Wikimedia Commons

Em 1984, um estudante de jornalismo japonês descobriu um livro antigo que parecia detalhar registros médicos antigos. Entretanto, o jovem percebeu que na realidade eram inúmeros documentos que registraram barbaridades ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial.

Tratava-se do que ocorreu na Unidade 731, uma unidade secreta de experimentos para pesquisa e desenvolvimento de guerra biológica e química do Exército Imperial Japonês. Comandada até o fim da guerra pelo general Shiro Ishii, era conhecida oficialmente como o Departamento de Prevenção de Epidemia e Purificação da Água.

General Shiro Ishii / Crédito: Getty Images

 

A Unidade foi estabelecida ao nordeste da China, e locais próximos chegaram a ser isolados para ocultar os bizarros testes promovidos pelos japoneses, como bombas com bactérias que poderiam infectar populações locais.

Todavia, o que acontecia de verdade naquele prédio era assustador. Prisioneiros de guerra eram submetidos à experimentos humanos letais, mas grande parte das 250.000 cobaias eram chineses - divididos entre civis ou militares.

Entre os terríveis testes aplicados nos prisioneiros, estavam alguns insólitos, como pendurar pessoas de ponta cabeça até elas morrerem - para ver quanto tempo aguentariam. Além disso, com o objetivo testar os efeitos das altas pressões em pilotos japoneses, os presos da unidade eram submetidos às câmaras de alta pressão, até seus olhos saltarem das órbitas.

Um outro teste macabro era feito pra descobrir até que distância um homem sobreviveria à explosão de uma bomba. Chineses eram espalhados em lugares diferentes ao redor de um explosivo, e as consequências eram avaliadas em cada um.

Diante de todas essas atrocidades, a vivissecção era, provavelmente, a pior entre elas. Médicos abriam o corpo dos presos e examinavam suas entranhas, isso com os pacientes vivos e sem nenhuma anestesia. Assim, eles buscavam compreender o avanço de determinadas doenças pelo corpo.

Por pior que tenham sido os experimentos, os pesquisadores da Unidade 731 não foram julgados por crimes de guerra, e receberam imunidade secreta dos Estados Unidos em troca de informações coletadas durante os experimentos com humanos.

Os americanos tinham grande interesse em informações sobre armas biológicas que pudessem ser utilizadas no programa estadunidense, assim como foi feito com nazistas na Operação Paperclip.


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