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Barril de pólvora: Há 114 anos, Nicolau II assinava o Manifesto de Outubro

Fragilizando ainda mais o seu governo, o Czar "ofereceu" liberdades civis e a criação de um Parlamento como forma de restaurar seu poder e conter a revolução

André Nogueira Publicado em 30/10/2019, às 11h08

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Diante do clima revolucionário instaurado em 1905, na Rússia, o czar passou a pensar em formas práticas de reestruturar seu governo. O país estava em uma infeliz guerra com o Japão e o povo, cansado do conflito, iniciou uma greve geral que mobilizou mais de 120 mil trabalhadores em São Petersburgo.

O autoritarismo do monarca havia resultado num massacre público contra manifestantes, conhecido como Domingo Sangrento. Com isso, sua figura de benevolente provedor caiu por terra. Nicolau II optou pela via reformista e, relutantemente, assinou o Manifesto de Outubro.

Nicolau II não era um bom gestor. Em suas mãos, a Rússia se tornou um barril de pólvora. Diversos grupos de oposição se organizavam e sindicatos eram formados. Em setembro e outubro de 1905, uma greve geral assolou a malha ferroviária do país e a cúpula do governo czarista convenceu Nicolau a fazer concessões em nome da governabilidade.

Domingo Sangrento / Crédito: Getty Images

 

No dia 30 de outubro de 1905, então, Nicolau II assinou este documento conhecido como Manifesto de Outubro, em que concedia liberdades civis e políticas, viabilizando a criação de um Parlamento – a DUMA – enquanto restaurava a legitimidade da monarquia.

A abertura política possibilitou o nascimento oficial de partidos políticos na Rússia, mas todos eles eram facilmente supervisionados pelo governo, enquanto a DUMA era controlada pela aristocracia, e o czar tinha pleno poder de dissolver o Parlamento caso julgasse conveniente.

DUMA / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ou seja, em termos práticos, o Manifesto de Outubro teve pouco efeito, além de não reduzir a insatisfação popular em relação ao governo Romanov. Essa fragilização politica só pôde melhorar com a rixa interna do Parlamento e as intrigas entre os moderados e a ala socialista, mais radical. O Poder Executivo acabou saindo com uma imagem melhor.

Com o retorno das tropas czaristas do Japão, a repressão voltou mais dura e a oposição sofreu diversas perdas, incluindo casos de exílio e morte, além da criminalização dos sovietes. Ou seja, todas as resoluções do Manifesto acabaram abolidas na prática, enquanto a DUMA era ainda um poder subjugado.

Mesmo com o restabelecimento dos poderes práticos do monarca, Nicolau II não possuía mais a base de apoio que tinha até 1905. A brutalidade de suas tropas e os constantes tropeços do czar fragilizavam seu governo e a abertura fornecida pelo Manifesto de Outubro só serviu para ilustrar às classes políticas renegadas o quanto uma iniciativa reformista poderia ser inútil.

Nicolau II e sua consorte na DUMA / Crédito: Getty Images

 

Entre 1905 e 1917, os resultados dessas falhas tentativas de conciliação fomentaram a via revolucionária, que efetivamente ocorreu antes do fim da Guerra, inicialmente de modo generalizado e, em Outubro, pela via bolchevique. Nicolau foi derrubado como déspota, sem que sua influência sobre a DUMA surtisse grandes efeitos.


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