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O Vampiro de Hannover: O açougueiro louco que vendia a carne de suas vítimas

Entre 1918 e 1924, Fritz Haarmann matou pelo menos 24 garotos entre 10 e 22 anos de idade, mas não foi o número de vítimas que lhe proporcionou o infame apelido de Açougueiro de Hannover

M. R. Terci Publicado em 08/12/2019, às 12h00

Fritz Haarmann, o Vampiro de Hannover
Fritz Haarmann, o Vampiro de Hannover - Wikimedia Commons

Em 24 de janeiro de 2015, o jornal alemão Goettinger Tageblatt noticiou que, após permanecer 89 anos conservada em um jarro com formaldeído, a cabeça do serial killer conhecido como o Açougueiro de Hannover ou, ainda, o Vampiro de Hannover, foi finalmente cremada pelo departamento médico da Universidade de Goetting.

Haarmann foi decapitado na guilhotina em 1925, após ter sido considerado culpado pelo assassinato de 24 pessoas entre os anos de 1918 e 1924. À medida que os detalhes macabros e pungentes emergiam de seu julgamento, a atenção da mídia internacional foi atraída tanto quanto dos cientistas alemães que se sentiam intrigados pelo monstruoso comportamento de Haarmann. 

Após a execução, as autoridades decidiram então conservar a cabeça em um jarro para pesquisas relacionadas a assassinos em série. Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, conhecer o monstruoso homem que serviu de inspiração para o cultuado filme – O Vampiro de Dusseldorf.

Origem trágica

Haarmann provinha de uma família altamente desestruturada. Além do alcoolismo, sua mãe tinha problemas psicológicos que a levavam a vesti-lo como uma menina. O pai, por sua vez, ao chegar em casa, quando via o filho vestido com roupas femininas, o agredia furiosamente.

Fritz Haarmann / Crédito: Wikimedia Commons

 

Essa rotina doentia fez com que suas cinco irmãs abandonassem o lar e se tornassem prostitutas, ao passo que Haarmann permaneceu na companhia dos pais até o dia em que completou 16 anos de idade e foi enviado a uma escola militar fora da cidade.

Três anos depois, devido a crises de epilepsia, acabou dispensado. Retornou à Hannover em 1898, quando começou a trabalhar em uma fábrica de charutos. Nessa mesma época, Haarmann foi preso acusado de molestar uma criança. Julgado como mentalmente incapaz, foi mandado para um hospital psiquiátrico.

Após seis meses internado, conseguiu driblar a vigilância e fugiu para Suíça. Dois anos depois, voltou para Alemanha e se alistou no exército com um nome falso. Em 1902 foi novamente descartado pelos médicos, mas ao dar baixa, ele conseguiu uma pensão militar integral.

Voltou para casa e começou a trabalhar no açougue da família, mas pouco tempo depois se envolveu numa briga violenta com o pai. Acusado de tentativa de homicídio, foi enviado novamente para uma clínica psiquiátrica.

Vampiro de Hannover

Na década seguinte, após ser declarado mentalmente estável, Haarmann foi colocado de volta às ruas e se tornou um criminoso. Era preso constantemente e cumpria pequenas penas por assalto e estelionato na prisão. Nessa época, dado seus contatos no submundo do crime, ele viria a se tornar informante da polícia.

Em 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial, Haarmann se declarou impressionado com o estado de pobreza da Alemanha. Não conseguia emprego e mesmo os trocados que recebia como informante da polícia começavam a minguar. Nessa mesma época, Haarmann tomou sob sua tutela o jovem Hans Grans, de 17 anos, que viria a se tornar seu amante e cumplice.

Fritz Haarmann e detetives da polícia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi com ajuda de Grans que passou a matar para roubar as posses das vítimas. Mas ele queria mais. Haarmann estava decidido a tomar de suas vítimas, a inocência, a vida e a alma.

Tomou gosto pelo assassinato e, auxiliado por seu amante, desenvolveu um modus operandi monstruoso se voltando contra os adolescentes com tendências homossexuais.

Prometendo comida e abrigo aos jovens, Haarmann os atraía até sua casa à margem do rio Leine. No sótão, violava os garotos e, ao final, matava com mordidas na carótida e na traqueia. 

Com a ajuda de Grans, desmembrava e descarnava as vítimas. A carne anunciava e vendia, a altos preços, como finas costeletas de porco. As roupas e eventuais posses materiais eram destinadas ao mercado negro, enquanto os restos mortais eram descartados no rio Leine.

Em 17 de maio de 1924, garotos que brincavam nas margens do rio Leine, localizaram um crânio. As autoridades ordenaram a dragagem e encontraram incontáveis restos humanos. Uma longa investigação foi deflagrada, testemunhas afirmavam ter visto alguns jovens que desapareceram na companhia de Haarmann.

O cerco se estreitou e dado o histórico criminal, a polícia chegou ao sótão do assassino, flagrando-o em pleno ato. Sem outra alternativa, ele confessou seus crimes, admitindo ter matado, praticado canibalismo e vendido a carne de cerca de 40 meninos.

Acabou condenado pela morte de 24 garotos.

Julgamento e execução

O Vampiro de Hannover, como ficou conhecido pela mídia, não pediu clemência, mas declarou que um desconhecido tomava posse de seu corpo e o incitava a morder o pescoço de suas vítimas. 

A cabeça de Fritz Haarmann / Crédito: Wikimedia Commons

 

Seu cumplice, Hans Grans, foi condenado à prisão perpétua, mas teve a pena comutada por 12 anos de cárcere. Esteve preso num campo de concentração até o final da Segunda Guerra Mundial. Finalmente livre, mudou de nome, casou-se e viveu até morrer de causas naturais na cidade de Hannover.

A cabeça de Fritz Haarmann foi então conservada numa solução de formaldeído, para futuros estudos a respeito dos assassinos em série. Diante da guilhotina, teve o último pedido negado. Queria que em sua lápide fosse escrito o seguinte epitáfio: Aqui jaz o exterminador.

Haarmann estimou o número de suas vítimas entre 50 e 70 jovens. Finalmente, ele foi associado com a morte de 27 deles e condenado a 24 assassinatos. Sua vida terminou em quarenta e cinco anos - ele foi executado por uma guilhotina na prisão de Hanover.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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