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Noite fora de série: o vexame de carnaval que quase derrubou Itamar Franco

A mais famosa foto do presidente ilustra o momento de embriaguez e assédio que levou à vergonha do governo brasileiro

André Nogueira Publicado em 11/10/2019, às 10h53

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- Marcelo Carnaval

A primeira vez em que um Presidente da República pisou no sambódromo na Marquês da Sapucaí, obra do governo fluminense de Brizola, o resultado foi um verdadeiro vexame. É o caso de Itamar Franco, o mineiro nascido no mar e galanteador solteiro, desprovido de qualquer noção.

Itamar era presidente desde a queda de Fernando Collor e já havia se mostrado pouco litúrgico ou decoroso. Mas naquele dia 14 de fevereiro de 1994, o ocorrido passou de qualquer limite imaginável. Imagine o presidente e seu Ministro da Justiça, em altíssimo estado de embriaguez, mexendo com as moças que desfilavam no sambódromo.

Itamar foi eleito vice-presidente de Collor / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante o desfile da Acadêmicos da Grande Rio, a modelo Lilian Ramos atraiu a atenção do presidente, que a convidou a gritos para o camarote presidencial. Ela subiu, mas já foi surpreendida por um descaso: o ministro Maurício Corrêa tentou assediar a moça.

No palanque, Lilian beijou o rosto de Itamar, que respondeu com um sussurro no pé do ouvido. A modelo, então, levantou os braços de animação e chegou ao clímax que levaria à crise que quase derrubou o segundo presidente da Nova República: sua saia levantou, revelando que a modelo estava sem calcinha. Sua genitália ficou exposta e o momento foi flagrado pela fotografia de Marcelo Carnaval.

“Hoje dá vontade de rir dessa história. Foi uma forma ridícula de tentar atingir a moral do presidente. Pensei em processar todo mundo, mas preferi ir embora do Brasil”, afirmou Lilian em entrevista ao UOL em 2014, ano que marcou os 20 anos do insólito episódio.

O caso foi um escândalo, principalmente para a mídia mais conservadora / Crédito: Veja

 

A falta de decoro do presidente e a divulgação dessa foto escandalosa levaram a uma crise que quase derrubou Itamar Franco. O presidente conseguiu se safar da queda, cortando apenas o ministro Corrêa, que perdeu toda e qualquer credibilidade. A imagem de Itamar ficou temporariamente suja, mas seu mandato acabou naquele mesmo ano e em alta, pela realização do Plano Real.