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Morte à derrota: Os suicídios em massa na Alemanha no final da Segunda Guerra

Hitler e oficiais nazistas tiraram suas vidas nos momentos finais do conflito — mas pessoas comuns também, usando enforcamento, afogamento e envenenamento

Isabela Barreiros Publicado em 09/01/2021, às 08h00

Estátua de cera de Hitler no museu Madame Toussauds em Berlim
Estátua de cera de Hitler no museu Madame Toussauds em Berlim - Shutterstock

O fim da Segunda Guerra estava chegando e, com isso, a derrota da Alemanha se demonstrava mais que clara. Mas eles não queriam perder. Com a aproximação do Exército Vermelho e o medo das represálias da União Soviética, os nazistas começaram a incentivar um modo controverso de não experienciar a derrota.

"É apenas [uma fração] de segundo. Então, é redimido de tudo e encontra tranquilidade e paz eterna”, afirmou Hitler em uma conferência no dia 30 de agosto de 1944. O suicídio seria considerado por eles, assim, uma forma menos dolorosa de perder. O medo do que viria a seguir prestou um papel enorme naquele momento.

Foi assim que Hitler então tirou sua própria vida. Ingerindo uma cápsula de cianureto e, por precaução, dando um tiro em sua própria cabeça, aquele era o fim do Führer. Sua esposa, Eva Braun, também morreu da mesma forma, em um bunker subterrâneo abaixo da Chancelaria do Reich no dia 30 de abril de 1945.

Hitler e Eva Braun / Crédito: Getty Images

 

Eles não foram as únicas figuras importantes do nazismo a darem fim a suas vidas dessa maneira. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda, além de suicidar-se, tirou a vida de seus seis filhos e esposa com veneno.

No entanto, o mais terrível é que isso não ficou restrito aos líderes e militares. Os civis também foram invadidos com a necessidade de acabar com suas vidas. A propaganda nazista foi um fator decisivo nessas circunstâncias — os longos anos expostos a esses anúncios colaboraram com a incapacidade de aceitar a derrota.

“Teve influência um efeito psicológico que transforma o suicídio em algo contagioso, quase como uma infecção”, analisa o historiador Florian Huber, autor do livro Filho, Me Promete que Vai Atirar.

Berlim durante os últimos dias de Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Historiadores calculam que, nos últimos meses da Segunda Guerra, cerca de 10.000 e 100.000 pessoas tiraram suas vidas por motivos relacionados ao nazismo. Segundo Huber, os rios alemães se tornaram cemitérios a céu aberto. “As testemunhas se lembram de pessoas penduradas em árvores por toda parte”, comenta.

O caso mais extremo dos suicídios coletivos aconteceu na cidade de Demmin, no nordeste da Alemanha. Na época, a região tinha aproximadamente 15.000 habitantes. Entre 700 e 1.000 cidadãos tomaram a decisão de juntar-se à loucura, coletiva, do Führer. Esse foi o maior suicídio em massa que já aconteceu na história do país.

Além de tirarem a própria vida, os alemães também levavam consigo seus filhos. Bärbel Schreiner conta que, na época com apenas seis anos, sua mãe fazia parte do grupo que compactuava com essa ideia.

Bärbel com a mãe e o irmão / Crédito: Divulgação

 

Atualmente, ela afirmou que só sobreviveu porque seu irmão disse “mamãe, nós não, né?”, o que fez com que a mulher desistisse. “Ainda me lembro da água avermelhada pelo sangue. Sem essas palavras, tenho certeza que minha mãe teria afogado nós dois”, relembra.

As técnicas utilizadas por eles eram principalmente o afogamento, ingestão de cápsulas de cianeto e o enforcamento. Para este último, os britânicos encontraram um cartão-postal escrito em alemão que seria um “manual” ensinando como enforcar-se com uma quantidade mínima de dor.

Seja por medo dos vencedores, fanatismo, ou culpa pelas atrocidades cometidas pelo nazismo, milhares de alemães tiraram suas vidas em um curto período de tempo por consequência do regime vigente.


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