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Horrores da Escravidão: A chocante experiência de Charles Darwin no Brasil

A passagem do naturalista por Salvador e Rio de Janeiro foi crucial para a elaboração de sua Teoria da Evolução

Joseane Pereira Publicado em 29/05/2020, às 13h00

Naturalista britânico Charles Darwin
Naturalista britânico Charles Darwin - Getty Images

Embora não seja tão comentada como sua expedição à ilha Galápagos, a passagem de Charles Darwin pelo Brasil foi crucial para sua teoria revolucionária. Isso porque, além de observar pela primeira vez a diversidade da floresta tropical, ele também viu de perto os horrores da escravidão.

Naturalista nos Trópicos

Dirigido pelo comandante Fitz-Roy, o navio HMS Beagle partiu da Inglaterra em dezembro de 1831. Junto à equipe, estava o jovem Darwin, com apenas 22 anos. Após passar por Cabo Verde e por alguns arquipélagos, ele finalmente chegou a Salvador, no dia 29 de fevereiro de 1832, ressaltando em suas anotações que todo o trabalho braçal era feito por negros e que os ingleses intolerantes não passavam de "selvagens polidos".

Lá, o naturalista conheceu a cidade e coletou espécies de plantas e animais. Algumas das experiências que teve foram consideradas assustadoras, como uma tempestade tropical e, inusitadamente, o carnaval de Salvador: o inglês foi acertado por bolas de cera cheias de água, conhecidas como Limão de Cheiro.

Caranguejo ou raposa brasileira, desenhada por Darwin entre 1832 e 1836 / Crédito: Getty Images

 

O naturalista chegou ao Rio de Janeiro em 4 de abril, coletando amostras de plantas, animais e insetos pelo interior do Estado. Segundo Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência que organizou um livro com relatos de Darwin, "(...) em vários trechos ele diz que uma das coisas que mais o impressionaram foi a diversidade da natureza tropical que viu em Salvador e no Rio".

Vivenciando a Escravidão

Poucos dias após chegar no Rio de Janeiro, ele foi convidado por um inglês para conhecer suas propriedades. Passando por uma fazenda na Lagoa de Maricá, Darwin escutou uma história que reproduziu em seus diários, sobre um grupo enviado para resgatar escravos fugidos. Encurralados em um precipício, todos se renderam — menos uma senhora negra, que preferiu se jogar para a morte.

Liberal e de família antiescravagista, ele escreveria o seguinte comentário: "Praticado por uma matrona romana, esse ato seria interpretado e difundido como amor à liberdade. Mas da parte de uma pobre negra, se limitaram a dizer que não passou de um gesto bruto".

Assim como as anotações sobre a exuberância dos trópicos, perceber de perto os horrores da escravidão também foi crucial para o desenvolvimento de sua teoria da Evolução das Espécies, que coloca todos os seres humanos no mesmo grau de evolução, como descendentes de um ancestral comum.


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