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Injustiçada? Neste dia, 1536, Ana Bolena era presa por traição e bruxaria

Acusada por seu próprio marido, Henrique VIII, a rainha teve que passar por contratempos em seus angustiantes dias finais

Caio Tortamano Publicado em 02/05/2020, às 07h00

Ana Bolena na Torre de Londres
Ana Bolena na Torre de Londres - Wikimedia Commons

Depois de uma acusação completamente questionável por parte da corte do rei Henrique VIII, Ana Bolena (segunda esposa do monarca) foi condenada à morte por alta traição, após conspirar sobre a morte do rei, e por ter se envolvido com outros cinco homens — um deles, inclusive, seria o seu irmão.

Muitos historiadores acreditam que Ana foi vítima de uma conspiração, só não sabem com exatidão quem teria sido o autor dessa fraude. Pode ter sido seu marido, que queria um herdeiro homem para a Inglaterra, ou Thomas Cromwell, com quem ela teve um desentendimento pelo alinhamento amigável com a França.

Henrique VIII (esq.) e Thomas Cromwell (dir.) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bolena tinha pouca esperança de que sua inocência fosse provada, mesmo que os depoimentos das supostas traições não condissessem com os lugares que ela estava. Ela morreria ou na fogueira, ou por decapitação por um exímio cavaleiro.

A execução dela estava agendada para o dia 18 de maio, na Torre de Londres ( notório local de execuções na Londres antiga). A rainha estava preparada para morrer nesse dia, se confessando pela uma última vez com o capelão da torre. Entretanto, a execução foi atrasada depois das ordens de Thomas Cromwell, que não permitia nenhum “estranho” durante o acontecimento.

Ele se referia aos diplomatas estrangeiros que iriam presenciar a morte de uma rainha da Inglaterra por conta de seus supostos amantes. Esse acontecimento certamente geraria comoção, e faria Henrique parecer o vilão da história.

No dia seguinte, lá estava Ana para ser executada, levada dos aposentos no qual esperava a sua coroação anos antes, até o cadafalso onde encontraria seu inevitável destino. Suas vestes não mentiam, de cor vermelha — para simbolizar o martírio — a rainha sabia que estava sendo injustiçada.

Em seu discurso antes de morrer, Bolena dizia não estar fazendo um sermão, mas sim estar lá para morrer. Além disso, disse que não questionaria a decisão por ter sido passada nas mãos da lei. Surpreendentemente, não guardou rancor de seu antigo marido: “Não estou aqui para acusar alguém, nem para falar sobre o motivo de minha acusação. Peço a Deus que salve o rei e que viva muito para reinar por um lugar mais misericordioso”.

A execução foi limpa e certeira, o cavaleiro designado para tal só precisou de um golpe de espada para decapitar a rainha. Suas damas de companhia recolheram os restos de seu corpo e levaram para uma capela nas redondezas.

Ninguém se dispôs a oferecer um caixão para a antiga rainha, assim, um guarda da realeza buscou um baú de madeira para que os restos fossem depositados. Seu corpo despedaçado foi enterrado ao lado dos restos de seu irmão, o Lord Rochford.


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