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Osíris: O sol noturno do Egito

Uma nova representação do deus do mundo subterrâneo foi encontrada em templo no Vale dos Reis

Roger Marzochi Publicado em 05/10/2019, às 07h00

Ilustração de Osíris
Ilustração de Osíris - Reprodução

Descendente direto de Rá, o deus da criação, Osíris é o filho mais velho do casal Geb e Nut, e reinou sobre a Terra como o primeiro faraó do Egito. Isso até ser assassinado por seu irmão Set, motivado pelo ciúme e pela inveja. A partir daí, Osíris virou o deus supremo do mundo subterrâneo: o juiz do mundo dos mortos.

Sua representação sempre foi associada a um homem mumificado de coroa branca e plumas de avestruz, braços cruzados sobre o corpo e, nas mãos, um cajado e um açoite. Dificilmente foi representado como animal, mas, quando isso ocorria, tomava a forma de um touro, crocodilo ou peixe.

A revolução de Akhenaton (a glória de Aton), porém, proibiu o culto a Osíris e a um panteão de outros 2 mil deuses do Antigo Egito – para que fosse venerado apenas Aton, o disco solar. O faraó deixou Tebas, a sede do poderoso Templo de Amon (Karnak), para criar uma cidade em Amarna, que se chamaria Akhetaton (horizonte de Aton). Pela primeira vez na História, o Egito se via cultuando um deus único. Mas a novidade só foi até a sua morte, em 1336 a.C.

Crédito: Reprodução

 

Um estudo recente — e em andamento —, liderado por pesquisadores argentinos com egiptólogos do Museu Nacional, traz à tona uma possível nova representação do deus Osíris: um sol noturno, encontrado na tumba de Neferhotep, o escriba do Templo de Karnak que viveu há 3,3 mil anos no Antigo Egito.

“A restauração do universo osiriano após Amarna é o que queremos conhecer melhor”, afirma a arqueóloga argentina Violeta Pereyra, líder do projeto que teve início em 1999. Segundo ela, a nova representação do deus do mundo subterrâneo configura uma transição entre o tipo de “monoteísmo” criado pelo faraó Akhenaton para o retorno dos antigos deuses, após sua morte.

É que, de acordo com as inscrições na tumba de Neferhotep, o escriba chegou à velhice no reinado de Ay, vizir de Tutancâmon que liderou o Egito por quatro anos após a morte do jovem faraó, até dar lugar a Horemheb. Ou seja: uma representação que apareceu justamente no período de transição.