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Walter Ciszek, o jesuíta que passou mais de uma década sendo torturado em um gulag

“Não pude evitar ver em cada encontro com cada prisioneiro, a vontade de Deus para mim", escreveu em sua autobiografia

Victória Gearini Publicado em 19/06/2020, às 11h00

Walter Ciszek sendo recebido por suas irmãs, Sra. Helen Gearhart e Irmã Evangeline, respectivamente
Walter Ciszek sendo recebido por suas irmãs, Sra. Helen Gearhart e Irmã Evangeline, respectivamente - Getty Images

Oposição ao regime autoritário da União Soviética, o jesuíta Walter Ciszek cumpriu 15 anos em um campo de trabalho forçado na Sibéria, chamado de gulag. Sua experiência o motivou a escrever diversas obras denunciando as atrocidades que vivenciou durante o período em que esteve preso.

Filho de imigrantes poloneses, Walter Ciszek nasceu em 4 de novembro de 1904 na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Em 1937, aos 33 anos, foi enviado a uma missão missionária na Polônia, mas após a invasão nazista, em 1939 fugiu para a Ucrânia. Para entrar na Rússia, teve que mudar de nome, passando a se chamar Vladimir Lypinski.

Durante 1930 e 1960, milhões de pessoas foram presas, torturadas e até mesmo assassinadas por serem contra o governo de Stalin. Condenado à prisão, em 1940, Walter Ciszek foi acusado de ser um espião alemão. Após horas de tortura, o jesuíta foi drogado pela polícia secreta russa e obrigado a confessar um crime que não cometeu.

Entrada de um gulag / Crédito: Getty Images

 

Antes de ser enviado para a Sibéria, Walter Ciszek trabalhava como pedreiro e celebrava missas de forma clandestina. Em sua obra Com Deus na Rússia, publicada em 1964, o sacerdote conta que, embora toda dor e sofrimento, conseguiu organizar uma Eucaristia com a ajuda de outros católicos que conheceu no gulag.

“Não posso descrever a minha alegria de poder celebrar a Missa novamente. Escuto confissões regularmente e, às vezes, posso distribuir a comunhão em segredo depois da Missa”, escreveu Ciszek em sua obra Com Deus na Rússia.

Prisioneiros durante trabalho forçado / Crédito: Getty Images

 

Em sua autobiografia, ele afirma que foi através da religião que encontrou forças para continuar sobrevivendo. “Não pude evitar ver em cada encontro com cada prisioneiro a vontade de Deus para mim agora, neste tempo e neste lugar, e a mão da providência que me trouxe aqui por caminhos estranhos e tortuosos”, descreveu.

Em 1955 foi liberado e permaneceu mais três anos no país. Ao voltar para a Pensilvânia, começou a dar palestras no Centro João XXIII da Universidade Fordham. No dia 8 de dezembro de 1984, Ciszek faleceu na Solenidade da Imaculada Conceição e, desde então, está em processo de canonização.


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Com Deus na Rússia, de Walter J. Ciszek (1964) - https://amzn.to/2R8A5a3

Caminando por valles oscuros: Memorias de un jesuita en el Gulag (Esdição Espanhol), de Walter J. Ciszek (2015) - https://amzn.to/2R6nN1H

With God in America: The Spiritual Legacy of an Unlikely Jesuit (Edição Inglês), de Walter J. Ciszek (2016) - https://amzn.to/36I3rmb

With God in Russia: The Inspiring Classic Account of a Catholic Priest's Twenty-three Years in Soviet Prisons and Labor Camps (Edição Inglês), de Walter J. Ciszek (2017) - https://amzn.to/2t8E529

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