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Pela primeira vez, cientistas reconstituíram a anatomia de uma jovem denisovana que viveu há 70 mil anos

Os denisovanos foram uma espécie humana, extinta há 70 mil anos, que viveu no frio inóspito da Sibéria

Isabela Barreiros Publicado em 20/09/2019, às 14h34

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Maayan Harel

Pesquisadores reconstituíram, pela primeira vez, a anatomia de denisovanos, uma espécie de humanos extinta há aproximadamente 30 mil anos. Eles retrataram uma jovem que vivia, há cerca de 70 mil anos, na gruta de Denisova, na Sibéria.

“Em muitas coisas os denisovanos parecem Neandertais, em alguns traços também se parecem conosco, mas em muitas outras características são únicos, o que já era expectável com base na sua filogenia [pois é uma espécie ‘irmã’ dos neandertais]”, explica o geneticista da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do trabalho, Liran Carmel.

O resultado foi divulgado pela revista científica Cell, e contou com o apoio de cientistas de Israel e de Espanha. Para realizar a reconstituição, os pesquisadores utilizaram uma técnica conhecida como metilação, onde alterações químicas influenciam a ação dos genes. Assim, eles puderam comparar os padrões de DNA com os de Neandertais e humanos modernos.

Apesar do trabalho ter sido importante, o arqueólogo da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, Ludovic Orlando analisa que é preciso tomar cuidado com generalizações baseadas em apenas uma reconstituição. Para ele, é indispensável que outros cientistas utilizem o mesmo método para recriar novos resultados, para que eles sejam passíveis de comparação.