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Peter Freuchen: A alucinante vida do explorador que sobreviveu graças às suas fezes

O explorador dinamarquês foi um dos principais pesquisadores dos povos nativos do Ártico, e seus feitos são relembrados até hoje

Caio Tortamano Publicado em 27/11/2019, às 07h00

Retrato de Peter Freuchen
Retrato de Peter Freuchen - Getty Images

Peter Freuchen, ficou muito conhecido por suas expedições ao Ártico. Nascido na Dinamarca, ao final do século 19, Peter vinha de uma família de comerciantes, e logo ao se tornar maior de idade matriculou-se em medicina na Universidade de Copenhagen.

Com apenas 20 anos, Freuchen ingressou na companhia do ex-cantor de ópera, Knud Rasmussen, explorador e antropólogo nascido na Groenlândia (antigo território do Reino Dinamarquês) Rasmussen é considerado um herói na Dinamarca, pelas descobertas territoriais feitas por todo o Ártico.

As descobertas decorreram das expedições que Rasmussen comandou chamadas de Expedições Thule. Tendo percorrido maior parte do território gelado, o dinamarquês estudou a cultura inuit — nativos esquimós que habitam regiões árticas.

Peter Freuchen / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com a convivência com os inuit, Peter acabou se apaixonando por uma nativa chamada Navarana Mequpaluk, com quem ele teve dois filhos. Navarana acabou falecendo de gripe espanhola.

Porém, por ser indígena e não ter se convertido ao cristianismo, a Igreja se recusou a enterrar a mulher. Diante disso, Peter se prontificou a fazer o enterro de sua mulher por conta própria. A situação desenvolveu um sentimento crítico quanto a Igreja em Peter, que declarou publicamente que a instituição mandava missionários despreparados para entrar em contato com os nativos.

Em 1910, Peter e Rasmussen se tornaram sócios e fundaram a Estação Comercial Thule, na Groenlândia, que serviu como ponto inicial de expedições entre 1912 e 1933.

A primeira expedição conjunta dos dois foi a fim de testar a teoria do explorador americano Robert Peary, de que havia um canal separando a Groenlândia da terra de Peary (península ao norte da Groenlândia). Depois de mais de 1.000 quilômetros percorridos, eles comprovaram que a teoria era falsa.

A expedição quase matou Peter, que durante uma nevasca tentou se proteger do frio se cobrindo com um dos trenós que utilizava. Depois de um tempo ele acabou soterrado pelo gelo, mas conseguiu cavar seu caminho para fora com uma faca fabricada com as suas próprias fezes congeladas.

Apesar de evitar a morte, ele não escapou ileso. Devido ao frio extremo em que se encontrava ele descobriu que contraiu úlcera do frio e perdeu a sua perna, colocando uma prótese de madeira no lugar.

Após suas expedições no extremo norte do planeta Terra, ele voltou a Dinamarca e se juntou aos Sociais Democratas do país, e passou a escrever para o jornal Politiken. Trabalhou por seis anos como editor-chefe de uma revista, cuja família dona era a mesma de sua segunda mulher, Magdalene Vang Lauridsen, em 1924.

Freuchen e convidados em lago dinamarquês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além dos seus trabalhos na mídia escrita, ele foi empregado pela MGM para produzir filmes com a temática envolvendo o Ártico, participando do aclamado filme Esquimó, estrelado por Ray Mala, um dos mais famosos atores nativo-americanos a participar de filmes de grande bilheteria.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Peter Freuchen integrou o Movimento de Resistência Dinamarquesa contra a ocupação nazista no país. Freuchen acabou sendo capturado pelos nazistas e condenado a morte por eles.

Mesmo assim, ele conseguiu fugir da captura e seguiu rumo a Suécia por meio de um avião. Em 1945, depois de terminado seu casamento de 20 anos com Magdalene, Freuchen se casou com uma desginer dinarmaquesa chamada Dagmar Freuchen-Gale.

Peter e sua esposa Dagmar / Crédito: Wikimedia Commons

 

Freuchen foi convidado a participar do programa The $64.000 Question, no formato de perguntas e respostas, e acabou sendo a quinta pessoa a faturar o prêmio de 64.000 dólares no programa respondendo perguntas a respeito dos Sete Mares.

Com a designer, que trabalhava fazendo as capas da revista Vogue, passou a viver em Nova York onde dedicou seus últimos anos a escrever sobre suas expedições e fazendo roteiros de filmes. Ele morreu de ataque cardíaco aos 71 anos, depois de ter escrito o prefácio de seu último livro intitulado O Livro dos Sete Mares.


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Grandes Expedições à Amazônia Brasileira. Século XX, João Meirelles Filho (2011)

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Grandes Expedições à Amazônia Brasileira. 1500-1930, João Meirelles Filho (2010)

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