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Afinal, qual é a importância de Lula na greve de 1978

Os movimentos de 1978 e 1979 quebraram jejum de dez anos e inaugurou novo sindicalismo. Entenda como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos revolucionou as reinvindicações trabalhistas

Ricardo Muniz e Júlia Ferraz Publicado em 03/08/2019, às 05h00

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- Crédito: Bob Wolfenson

Em 1978, o Brasil conheceu Lula — um torneiro mecânico de origem nordestina, que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, na Grande São Paulo. Naquele ano, Luiz Inácio da Silva e seus colegas fizeram a primeira greve significativa desde a repressão dos movimentos de Osasco e Contagem, dez anos antes, e inauguraram um novo jeito de fazer reinvindicações trabalhistas, conhecido como novo sindicalismo.

Houve repressão. Em 1978 e nas greves dos dois anos seguintes, manifestações foram dissolvidas pela polícia com violência. Líderes foram presos e processados com base na Lei de Segurança Nacional, instrumento autoritário que permitia tratar a reinvindicação como crime. O sindicato sofreu intervenção do governo.

Crédito: Reprodução

 

Os setores organizados da sociedade viam o movimento como uma forma relevante de oposição ao regime e ao represamento das demandas dos operários, cujos salários sofriam os efeitos da inflação. Autoridades católicas, como o cardeal Evaristo Arns, chegaram a ceder igrejas para assembleias.

O sindicalismo de Lula era novo porque apostava na negociação direta com os empregadores, quando a lei estabelecia que cabia ao governo definir os reajustes. O movimento também via a pressão e o confronto como armas legítimas de reinvindicação, atitude bem diferente da assumida pelas lideranças atreladas ao governo que dominavam os sindicatos.

O exemplo da região do ABC criou um novo padrão e colocou as reinvindicações na pauta nacional. Até o final de 1979, houve mais de uma centena de greves, em 15 estados, como conta o historiador Thomas Skidmore, no livro Democratizing Brazil.