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Por que 900 pessoas se mataram em nome do Templo do Povo?

A comunidade de Jonestown, localizada na Guiana, foi palco para um dos maiores massacres da História. Mas as pessoas que fizeram o movimento tinham motivações genuínas

Joseane Pereira Publicado em 18/11/2019, às 16h51

Jim Jones e sua família em 1976
Jim Jones e sua família em 1976 - Getty Images

Na noite de novembro de 1978, um dos maiores massacres da História acontecia na comunidade de Jonestown, localizada na Guiana. Em plena floresta Amazônica, mais de 900 pessoas tomaram uma mistura mortal de cianeto e calmantes a mando do líder messiânico Jim Jones. Mas quais eram as motivações daqueles que construíram a comunidade?

Quando pensamos no massacre de Jonestown, é muito fácil imaginarmos membros fanáticos de uma seita religiosa, que cometeram suicídio coletivo em nome de um ideal utópico e movidos pela insensatez. Entretanto, o que levou as pessoas a iniciar esse movimento foi um desejo genuíno de igualdade social.

Desde os anos 50, quando o templo se localizava em Indianápolis, EUA, seus frequentadores procuravam construir um espaço de ajuda mútua, dando assistência aos pobres como comidas, roupa e moradia. Marceline, esposa de Jim Jones, administrava casas de repouso, cujo lucro subsidiava uma cafeteria onde todos podiam comer sem pagar.

Jovens universitários brancos, atraídos pelo espírito de diversidade e igualdade, também aderiam ao movimento – utilizando suas habilidades como professores e assistentes sociais. A integração racial também era regra, e, com a expansão do Templo para o sul dos EUA, milhares de professores, empregados domésticos, veteranos militares e servidores públicos negros se juntaram ao movimento.

Jim Jones / Crédito: Wikimedia Commons

 

Independentemente do que pensava seu líder, os seguidores acreditavam na mudança social. Apesar disso, o local também ter sido palco de demonstrações de racismo, com membros brancos tomando o lugar de lideranças negras mais velhas. Essa foi uma das motivações para voluntários começarem a abrir a terra para construir um assentamento na Guiana, em 1974, na esperança de escapar de injustiças estruturais da sociedade norte-americana.

“Minhas lembranças de 1974 até o início de 78 são muitas e cheias de amor, e até hoje ainda trazem lágrimas aos meus olhos”, afirmou posteriormente Mike Touchette, ex-membro do Templo dos Povos que sobreviveu ao massacre. "Não apenas as memórias da construção de Jonestown, mas as amizades e camaradagens que tínhamos antes de 1978 estão além das palavras."

Entretanto, com a criação de Jonestown em plena Amazônia, a situação fugiu do controle. Quando Jones chegou junto a quase mil imigrantes norte-americanos, foi difícil organizar uma estabilidade para o local. Aos poucos, a hierarquia antidemocrática, racismo, idealismo fanático de Jones e violência usada gradualmente, resultaram numa mistura fatal para o massacre dos membros. Falhas que praticamente apagaram o idealismo genuíno que uniu as pessoas em busca de uma sociedade mais justa.


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