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Por que as pessoas não tomavam banho antigamente?

O banho era visto como a porta para o cemitério, e nem os médicos recomendavam

Fábio Marton Publicado em 02/08/2019, às 07h00

Aldeões imundos em Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado
Aldeões imundos em Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado - Reprodução

A imundície veio mais tarde do que se imagina. A imagem popular da Idade Média, reproduzida em vários filmes - como Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado, que abre esta matéria - é a de uma época em que as pessoas andavam cobertas de imundície. Mas isso não bate com a História. 

Até o século 14, os europeus eram relativamente limpinhos. Em que pese a opinião negativa da Igreja, que achava banho uma coisa pecaminosa, quase todas as cidades grandes tinham banhos públicos e no verão existia o hábito de se lavar várias vezes por mês, ou até todos os dias. Durante as cruzadas, os europeus foram apresentados ao sabão, e banhos se tornaram uma forma de ostentação da nobreza. 

Foi assim até a Peste Negra, que dizimou um em cada três europeus entre 1348 e 1350. Problemas extremos demandam soluções extremas. Os médicos da época achavam que a doença era causada por miasmas, ares contaminados e fedorentos. Hoje se sabe que a causa é um bactéria transmitida por pulgas de ratos. Mas então, paradoxalmente, seria a ideia de que fedor faz mal o que deixaria as pessoas fedorentas. 

Isso porque os médicos também diziam que miasmas penetravam no corpo não apenas pela respiração, mas pelos poros da pele, abertos durante o banho. Por mera coincidência, as epidemias de peste, por conta do ciclo vital das pulgas, eram mais comuns nos meses de verão, quando os banhos costumavam ser mais frequentes. 

Assim, os banhos passaram a ser vistos como porta para o cemitério. Os europeus desenvolverem um verdadeiro horror ao banho. Médicos diziam que a sujeira sobre a pele era natural e protegia as pessoas. 

A era da imundície duraria até o século 18. Primeiro, médicos ingleses como Charles Russel e William Bucham recomendaram o banho de mar para tratamento de doenças. Depois, vieram as noções científicas de higiene, mostrando que bactérias na pele podem ser perigosas. Os médicos, a mesma classe que havia mandado todo mundo correr da banheira, foram então os primeiros a dizer: Vá tomar banho!