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Prostituição e narcotráfico: Tilly Devine, a maior criminosa da Austrália do século 20

Com uma infância difícil de violência e pobreza, a cafetina fez fortuna nas ruas de Sydney com o tráfico de drogas e uma rede de bordéis

Wallacy Ferrari Publicado em 15/03/2020, às 08h00

Tilly Devine já era uma das maiores traficantes do país com apenas 20 anos
Tilly Devine já era uma das maiores traficantes do país com apenas 20 anos - Wikimedia Commons

Nascida em 1900, Matilda Mary Devine era filha de um pedreiro chamado Edward, casado com Alice. Em Londres, a jovem teve uma infância com muitas dificuldades financeiras e, durante a adolescência, viu a prostituição como alternativa para reduzir os impactos da pobreza em sua vida. E foi nas ruas que Matilda, já com o apelido de Tilly, se tornou figura notável das páginas policiais.

Entre 1915 e 1919, Tilly foi algumas vezes condenada por prostituição, roubo e agressão. Porém, a situação se agravou quando a proibição da prostituição e a orientação de fechamento de todos os bares e hotéis às 18h00. Com isso, se tornou cafetina e, posteriormente, começou a ter relações com mafiosos.

Com o NSW Vagrancy Act 1905, ato de atualização penal da Austrália, os homens do país ficaram impedidos de administrar bordéis. Com isso, organizações criminosas recrutavam mulheres com meticulosidade para compactuar e liderar empreendimentos de gangues e máfias. Tilly, por sua vez, tinha experiência e sabia se virar.

Começou então a direcionar garotas de programa para a elite, como políticos, empresários e convidados da diplomacia, sempre com o suborno policial em dia. As garotas, escolhidas à dedo pela cafetina, eram moças que passavam por necessidades financeiras ou tinha vícios em drogas, numa época de desemprego alto no país.

Já as prostitutas mais velhas eram direcionadas para a costa da Austrália para oferecer serviços aos marinheiros e pescadores, sendo chamadas de garotas do barco. Apesar de administrar diversos pontos, Tilly não arriscou exercer a prostituição com garotos, pois, apesar de seus crimes, acreditava que a homossexualidade era imoral.

Com os crimes, Matilda chegou a ter uma fortuna inestimável, com diversos automóveis, casas espalhadas por Sydney, além de uma coleção de joias de ouro e diamantes. Toda sua fortuna pôde amparar Tilly por mais de cinquenta anos, devidos aos muitos processos e multas por condenações, além das propinas aos servidores públicos bajulados por sua gangue.

A criminosa em uma de suas mugshots de captura / Créditos: Divulgação

 

A polícia local também buscava não interferir nas atividades da cafetina, principalmente por ter muitos capangas de natureza violenta, que andavam constantemente armados. Aos policiais mais importantes, era paga uma propina para evitar que os soldados fossem direcionados a operações policiais que envolvessem crimes de sua gangue.

Sua atuação ficou ainda mais ativa quando casou-se com Jim Devine, um ex-militar violento que havia feito uma série de assassinados em Sydney entre 1929 e 1931. Entre eles o do criminoso George Leonard, que tinha uma ficha notável por crimes anteriores na cidade. Em todos seus assassinatos, Jim sempre era absolvido, com a elaborada argumentação de sua legítima defesa.

Após uma comemoração em barcos de luxo para celebrar o casamento, o casal teve um filho em 1920, que foi dado para os pais de Tilly. Após o retorno, uniram forças para fazer a logística da mais conhecida organização criminosa que já atuou na capital australiana, com a dominância do narcotráfico e dos bordéis da cidade.

Quando Jim voltou para a Austrália, ela o seguiu de volta ao navio da noiva Waimana , chegando em Sydney em 13 de janeiro de 1920. Seu filho ficou em Londres e foi educado por seus pais. Tilly e Jim Devine rapidamente se tornaram importantes traficantes de narcóticos ilegais, proprietários de bordéis e membros de gangues do crime no meio criminal de Sydney.

O casal, entretanto, era acalorado e marcado por violência doméstica, como em 1931, onde, após uma briga, Jim deu diversos tiros em Tilly, que conseguiu escapar ilesa. Porém, o homem não foi condenado, pois se a cafetina comparecesse ao tribunal, seria presa imediatamente, já que era foragida. Tilly casou novamente, dessa vez com o militar Eric Parsons, que, meses antes de namorarem, havia levado um tiro de sua futura esposa. O casal ficou junto por doze anos, até Parsons falecer, vítima de um câncer.

Já a criminosa, vendeu os bordéis e viveu da renda dos mesmos até o fim de sua vida, aos 70 anos, porém, teve problemas com a justiça e quase faliu por gastos com multas de justiça e declarações de imposto de renda para regularizar sua situação legal. Também morreu de câncer, em decorrência a uma grave bronquite crônica.


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