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Qual a origem da expressão “Custar os olhos da cara”?

Para dizer que pagamos muito caro por algum produto, costumamos exagerar e usar os olhos como sinônimo de um valor alto demais

Izabel Duva Rapoport Publicado em 06/12/2019, às 07h00

Pôster do filme Olhos Famintos
Pôster do filme Olhos Famintos - Divulgação

Parece história de pescador, mas a origem mais conhecida dessa expressão mostra que esse preço foi pago por alguém: o conquistador espanhol Diego de Almagro (1479-1538), companheiro do general Francisco Pizarro González em sua conquista da América.

Após escutar lendas sobre um povo que comia e bebia em vasilhas de ouro no Novo Mundo, ambos navegaram com suas tropas, em 1524, rumo às terras desconhecidas. A primeira expedição chegou somente até o Equador, porém na segunda tentativa surgiram evidências reais sobre a existência do Império Inca.

Em 1526, saíram do Panamá em dois pequenos barcos, desembarcando na costa da atual Colômbia. Na ocasião, puderam ter o primeiro contato com a riqueza daquele povo, confirmada também mais ao sul, onde foram confrontados por jangadas repletas de guerreiros incas que admitiam a existência de muitas riquezas.

Essas notícias encheram os ouvidos dos reis da Espanha, que buscavam ouro e prata em suas colônias para salvar a economia do país. Assim, os exploradores foram autorizados a conquistar o Peru. E foi aí que a coisa ficou cara para Almagro.

Ao tentar invadir uma fortaleza inca no local, o espanhol perdeu um olho e, depois da disputa, ao apresentar-se ao imperador espanhol Carlos I, teria afirmado: “Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara”. O conquistador continuou espalhando seu feito e o custo dele para quem quisesse ouvir. A frase, de tão repetida, chegou aos ouvidos dos soldados – e, deles, foi para a boca do povo.

Se essa história lhe parece cruel o suficiente, há quem diga também que a origem da expressão seja mais antiga e venha do hábito de povos da Mesopotâmia de arrancar os olhos de quem pudesse colocar em risco a estabilidade do governo. Os assírios, por exemplo, organizavam guerras sangrentas e seus prisioneiros tinham mãos, pés, orelhas e olhos mutilados e arrancados. Com os inimigos cegos e inofensivos, afinal, tudo ficava mais calmo.