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50 anos após o assassinato de Sharon Tate, por onde anda a Família Manson?

Liderados pelo psicopata Charles Manson, eles foram responsáveis por notórios assassinatos nos anos 60. Descubra o que aconteceu com cada um

Vinícius Buono Publicado em 15/08/2019, às 01h00

Seis dos seguidores de Charles Manson, participantes do assassinato
Seis dos seguidores de Charles Manson, participantes do assassinato - Reprodução

Há meio século, em 9 de agosto de 1969, os assassinatos da atriz Sharon Tate e do casal LaBianca pelos seguidores de Charles Manson chocaram Hollywood e o mundo. A Família Manson, como eles se autodenominavam, era uma comunidade hippie, influenciada pelas ideias apocalípticas de guerra racial de seu líder.

Foto de Manson ao ser preso. Crédito: Reprodução

 

Após os crimes e suas repercussões, diversos membros do grupo, que chegava a quase 100 pessoas, foram julgados e condenados por seus papéis no ocorrido. Muitos deles foram sentenciados à morte, mas, com a proibição da pena no estado da Califórnia nos anos subsequentes, tiveram suas sentenças transformadas em prisão perpétua. O próprio Manson passou o resto da vida na cadeia, onde morreu em 2017. Mas e com os outros, o que aconteceu?

Patricia Krenwinkel

Crédito: Reprodução

 

Krenwinkel foi condenada por ter esfaqueado o casal LaBianca e escrito Morte Aos Porcos nas paredes com o sangue das vítimas, uma prática recorrente nos assassinatos realizados pela Família Manson.

A moça era uma secretária de apenas 19 anos quando se juntou a Manson e seu bando. Hoje, aos 71, ela se tornou uma prisioneira modelo, segundo os oficiais da cadeia onde ela é mantida em Chino, na Califórnia, envolvida até com programas de reabilitação de outros presos.

Ela é a prisioneira que cumpre sentença há mais tempo no estado. Como muitos outros da famigerada família, nunca conseguiu liberdade condicional, apesar do bom comportamento.

Susan Atkins

Crédito: Wikimedia Commons

 

Conhecida como a mais assustadora do bando, Atkins confessou ter matado a atriz Sharon Tate. Condenada à morte, saiu do tribunal provocando: “tranquem suas portas, cuidado com seus filhos”.

A ex-dançarina também teve a sentença convertida, abraçou o cristianismo na cadeia e passou a vida pedindo desculpas por seu papel nos assassinatos. Em 2008, requisitou a soltura por causa de um tumor no cérebro, mas lhe foi negada. Morreu em 2009, ainda presa.

Leslie van Houten

Crédito: Reprodução

 

Van Houten está presa em Corona, também na Califórnia. Ela só foi condenada em seu terceiro júri acerca do assassinato, já em 1978.

A mais nova do grupo, van Houten chegou a Manson por meio de um antigo namorado, e passou a vê-lo como uma encarnação de Jesus Cristo (muitos membros da família tinham essa mesma visão).

Segundo oficiais, ela nunca precisou ser disciplinada em toda a sua sentença. Mesmo assim, teve seu pedido de liberdade condicional negado diversas vezes, inclusive pelo próprio governador da Califórnia, apesar de ter sido recomendada.

Lynette Fromme

Crédito: Reprodução

 

Apelidada de Squeaky, Fromme não participou dos assassinatos e como consequência não foi nem julgada. Ela foi, como outros membros da família que não estavam envolvidos naquela ocasião, protestar na porta do tribunal durante os julgamentos.

Fromme foi presa alguns anos depois, em 1975, depois de apontar uma arma para o então presidente americano, Gerald Ford. Na legislação da época, ameaçar a vida de um presidente era motivo de prisão perpétua, então ela não escapou ao mesmo destino dos outros.

Foi uma das únicas a nunca negar Manson e suas ideias, por mais estapafúrdias que fossem. Em 1987, fugiu da prisão para encontrá-lo, mas foi recapturada dois dias depois. Conseguiu a liberdade condicional em 2009 e hoje mora no estado de Nova York com o marido, outro ex-presidiário, numa casa decorada por caveiras.

Bruce Davis

Crédito: Reprodução

 

Davis foi condenado por assassinatos cometidos pela família antes dos mais famosos, o de Gary Hinman, músico e o de Donald Shea, um capataz do rancho.

Na cadeia, em San Luis Obispo, tornou-se um cristão renascido, estudou filosofia da religião e hoje ministra missas para os outros detentos como pastor.

Linda Kasabian

Crédito: Reprodução

 

Kasabian chegou à família com sua filha bebê após fugir de um casamento infeliz com apenas 21 anos. 

Ela não participou diretamente dos assassinatos mas, como única do bando que dirigia, foi ela quem os levou aos locais. Durante o julgamento, tornou-se a principal testemunha contra Manson e seus asseclas e, por isso, teve imunidade concedida. 

Por causa do programa de proteção às testemunhas, não se sabe o que aconteceu com ela, mas especula-se que vivia na costa leste dos EUA. 

Charles Watson

Crédito: Reprodução

 

Preso em San Diego, Watson se auto-proclamava como o braço direito de Manson. Mesmo preso por toda a vida, ele se casou e teve quatro filhos durante as visitas íntimas para presos perpétuos eram liberadas. Tornou-se pastor ordenado e divulga, por meio de cartas e de colaboradores, tudo em seu site.

Foi indicado para liberdade condicional algumas vezes, mas encontrou forte oposição, inclusive da mãe de Sharon Tate.

Robert Beausoleil

Crédito: Reprodução

 

Também foi condenado pelos assassinatos anteriores e já estava preso à época dos notórios crimes da família. Na cadeia, se juntou à Irmandade Ariana, uma gangue neonazista. Se envolveu em diversas brigas e chegou a ter mandíbula quebrada. Agora aos 71 anos, continua preso no estado da Califórnia, e, assim como outros, também teve inúmeros pedidos de condicional negados.


Além da Família Manson, outros personagens também se envolveram no famoso caso:

Roman Polanski

O aclamado diretor de filmes como Chinatown, O Bebê de Rosemary e O Pianista era marido de Sharon Tate na época em que a atriz foi assassinada. Ele não estava em casa durante o crime por estar produzindo um filme na Europa.

Na década seguinte ao crime, Polanski foi condenado na justiça americana pelo estupro de uma garota de treze anos e fugiu para Paris para evitar a prisão. Em 2018, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (responsável por premiações como o Oscar) decidiu expulsá-lo por conta do caso.

Sharon Tate e Roman Polanski. Crédito: Reprodução

 

Aaron Stovitz

O primeiro promotor do caso foi afastado após ter divulgado informações para a mídia. Segundo a família, Stovitz trabalhou em mais de 500 casos ao longo de sua carreira, incluindo 100 de assassinatos. Morreu em 2010.

Vincent Bugliosi

O segundo promotor, que assumiu após o afastamento de Stovitz, foi responsável pelas condenações de todos os envolvidos. Aproveitando-se da fama, escreveu o livro Helter Skelter, baseado na homônima música dos Beatles que Manson usava em suas pseudo-profecias. Nele, Bugliosi conta a sua visão sobre o caso e o julgamento. Vendeu mais de sete milhões de exemplares. Morreu em Los Angeles em 2015, vítima de um câncer.

Era Uma Vez Em Hollywood, filme dirigido por Quentin Tarantino, que mistura ficção e realidade ao retratar o universo de Charles Manson, será lançado nos cinemas nesta quinta-feira, 15 de agosto.