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Há 53 anos, a ativista Lin Zhao era executada pelo governo de Mao Zedong

Presa, ela entrou para a História como a mulher que escreveu 'cartas de sangue'

Redação Publicado em 29/04/2021, às 09h37

A poeta e jornalista Lin Zhao
A poeta e jornalista Lin Zhao - Wikimedia Commons/Domínio Público

A história da China é repleta de mártires. Muitos deles, porém, permaneceram apenas na narrativa oculta do país, esquecidos ou escondidos por governos autoritários. Ainda assim, pesquisadores continuam buscando esses personagens para colocar suas histórias à luz novamente. 

Como repercutido pelo portal de notícias United Methodist News Service em 2018, o autor Lian Xi publicou naquele ano uma obra que conta um desses casos. Em tradução livre, ‘Cartas de sangue: a história não contada de Lin Zhao, um mártir na China de Mao’ expõe a vida e morte de Lin Zhao, uma poeta e jornalista.

A moça, nascida Peng Lingzhao, atingiu a fama sob seu pseudônimo Lin Zhao, sendo inicialmente uma militante comunista contra a vigente República Chinesa. No entanto, ela não permaneceu muito tempo na ideologia, se desiludindo com o movimento e  virando uma dissidente. 

O governante comunista Mao Zedong / Crédito: Divulgação/Encyclopædia Britannica

 

A poeta, que estudou no Departamento de Literatura da Universidade de Pequim, se tornou uma das mais ferrenhas críticas à corrupção do governo comunista de Mao Zedong durante a época do Desabrochar de Cem Flores, principalmente entre os anos de 1956 e 1957.

Como explicado no site da Encyclopædia Britannica, o movimento, criado pelo governante comunista, tinha como objetivo incentivar a liberdade de expressão de intelectuais, acabando com as restrições de pensamento.

A ideia era incentivar a disseminação de ideias e ideologias diferentes (inclusive contrárias ao comunismo) para, através do debate, chegar ao progresso científico. Mas, quando as críticas começaram a “chegar longe demais”, o Partido Comunista voltou atrás.

Pouco tempo depois, muitos críticos do regime sofreram com retaliações, perdendo seus empregos ou, em casos mais extremos, sendo condenados à prisão ou trabalhos manuais forçados. 

Foi o que aconteceu com Lin. Ela foi condenada a fazer trabalhos braçais para a faculdade, como matar insetos, parte da Campanha das Quatro Pragas, um dos braços do Grande Salto Adiante, plano governista que pretendia tornar a China uma potência mundial em tempo recorde, falhando.

Lin Zhao / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1960, ela foi presa enquanto colaborava com outros dissidentes na criação de uma revista que criticava as políticas do Grande Salto, responsáveis pela morte de milhões de cidadãos chineses pela fome.

Condenada a 20 anos de prisão, Lin era constantemente torturada. Mesmo assim, conforme descrito pelo Wall Street Journal, ela continuava escrevendo coisas contrárias ao regime usando grampos de cabelo ou farpas de bambu como caneta e o seu próprio sangue, quando faltava tinta. Cristã convertida, ela se apegou ainda mais a sua fé nesse período.

Após seis anos dessa rotina, ela foi condenada à execução, considerada culpada de inúmeros hediondos crimes que variavam de ofensas ao Partido Comunista Chinês até a incitação de rebelião na cadeia.

Ela foi morta com um tiro no dia 29 de abril de 1968, há exatos 53 anos. Para adicionar requintes de crueldade à uma história já triste, os pais da jovem só souberam de sua morte quando um oficial do governo foi cobrar uma taxa de cinco centavos pela bala usada em sua execução.

Em 1981, já sob o governo de Deng Xiaoping, ela foi exonerada de seus crimes e reabilitada. Em 2004, o cineasta Hu Jie fez um documentário sobre ela, chamado, em tradução livre, À Procura da Alma de Lin Zhao.


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