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Antissemita e ídolo de Hitler: Richard Wagner, o autor da ópera que foi reproduzida em vídeo de Roberto Alvim

A ópera Lohengrin, de Wagner, causou polêmica nas redes sociais ao ser reproduzida em vídeo do Secretário Especial de Cultura do Governo Bolsonaro, Roberto Alvim

Joseane Pereira Publicado em 17/01/2020, às 08h00

Adolf Hitler e o compositor Richard Wagner
Adolf Hitler e o compositor Richard Wagner - Getty Images

Na noite do dia 16 de janeiro de 2020, o Secretário Especial de Cultura do Governo Bolsonaro, Roberto Alvim, parafraseou trechos do discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Um trecho da ópera Lohengrin criada pelo compositor Richard Wagner — que tinha Adolf Hitler como um de seus maiores fãs — tocava ao fundo do vídeo fúnebre de Alvim. Mas por que essa gigante figura da Ópera atraiu o fanatismo de um dos ditadores mais cruéis do século 20?

Compositor antissemita

A odisseia wagneriana “Os Mestres-Cantores de Nuremberg”, com mais de quatro horas de duração, era uma das favoritas dos nazistas. Considerada a mais germânica de todas as obras, ela retratava o personagem principal como um gênio trabalhando em nome de sua raça, com todos os pré-requisitos para ser usada nas propagandas do Terceiro Reich.

O forte antissemitismo de Richard Wagner (1813-1883) foi provavelmente a causa principal para que ele fosse reverenciado por Hitler. O autor, que pertencia ao grupo conservador dos "nacionalistas alemães", teria publicado nos anos 1850 e 1869 um panfleto denominado "Sobre o Judaísmo na Música", onde desprezava a produção artística de judeus contemporâneos a ele, como Giacomo Meyerbeer e Mendelssohn-Bartholdy.

Richard Wagner, compositor adorado por Hitler / Crédito: Getty Images

 

Como afirmou a emissora britânica BBC no bicentenário de nascimento do artista, “Wagner deixava claros seus monstruosos sentimentos, a começar com o infame panfleto de 1850”.

Fascínio

Amante de ópera, o ditador nazista frequentava quase diariamente os teatros. De acordo com a historiadora Brigitte Hamann em sua obra Winifred Wagner e a Bayreuth de Hitler, "O jovem Hitler sempre esteve bem à frente em toda apresentação de Wagner que havia". Inclusive, na famosa autobiografia Mein Kampf, o ditador descreveria como sua ida à ópera wagneriana Lohengrin, aos 12 anos de idade, teria mudado sua vida.

As composições de Wagner eram presença marcada nos comícios organizados pelo governo de Hitler, que inspirava sua liderança no nacionalismo das obras. Hoje em dia, grande parte dos pesquisadores acredita que a ideia de um “germanismo ariano” estava encubada na obra do artista.

Em 1923, os descendentes de Wagner passaram a manter um estreito contato com o líder nazista, convidando-o para visitar sua casa e o túmulo do compositor. “Quando Hitler visitou os Wagner em 1923, todos entraram para seu partido. Eles se tornaram adeptos dos nazistas desde muito cedo", afirma ainda a historiadora Hamann.


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