Matérias » Personagem

A vida heroica e o trágico fim de Amelia Earhart

Há 91 anos, Earhart se tornava a primeira mulher a atravessar o Atlântico. Conheça a sua trajetória

Wagner Barreira Publicado em 18/06/2019, às 08h00

Amelia Earhart, a primeira mulher a cruzar o Atlântico sozinha
Amelia Earhart, a primeira mulher a cruzar o Atlântico sozinha - Wikimedia Commons

Em 1932, no dia 20 de maio, aniversário da façanha de Lindbergh, Amelia Earhart decolou de Terra Nova, no Canadá, rumo a Paris. No entanto, problemas mecânicos com congelamento e fortes ventos obrigaram a aviadora a pousar em um pasto na Irlanda. Mesmo não tendo completado o percurso, outro recorde havia sido conquistado. Ela era a primeira mulher a cruzar o Atlântico sozinha! Outras marcas inéditas seriam conquistadas, como a travessia do Pacífico Havaí-Califórnia. Mas Amelia queria o mundo!

Um das seguidoras do norte-americano Charles Lindbergh, atraída graças ao histórico voo transatlântico de 1927, Amelia foi uma das várias mulheres a desafiar as convenções da época para entrar em um cockpit não como passageiras, mas como capitãs. Seu gosto por aventuras e pelo perigo fez dela uma mulher forte o bastante para inspirar milhares de pessoas ao redor do mundo.

Amelia Earhart, em 1935 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nascida em 1897 no Kansas, ela nunca se encaixou no papel de menina frágil. Subir em árvores e caçar ratos com uma espingarda calibre 22 fizeram parte de sua infância. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi auxiliar de enfermagem em um hospital militar no Canadá.

O amor pelas máquinas voadoras surgiu ao ganhar um passeio de avião em 1920. No ano seguinte, passou a ter aulas de pilotagem e a economizar dinheiro de seu salário de assistente social para comprar um avião próprio.

Conseguiu um bimotor usado de dois lugares que apelidou de Canário, por sua cor amarela. Com ele, Amelia iria bater seu primeiro recorde feminino, o de altitude, com 14 mil pés (4,2 mil metros) alcançados. Em 1924, foi obrigada a vender o avião para ajudar sua família.

Quatro anos depois, ela voltaria a voar e seria a primeira mulher a fazer um voo solo de ida e volta, cruzando os Estados Unidos. Ainda em 1928, com outros dois pilotos, integrou uma equipe que fez a travessia Estados Unidos-País de Gales em 21 horas. A partir de então, quebraria recordes de velocidade e distância e ganharia a vida em apresentações e concursos.

Já nos anos 1930, Amelia começou a planejar uma nova travessia do Atlântico, dessa vez, solo. O intento era refazer o voo pioneiro de Lindbergh. Nessa ocasião, se tornou a primeira mulher com esse feito, há 87 anos.

Em 1937, para comemorar seus 40 anos, ela planejou uma volta ao globo. No dia 1º de junho, ela e o navegador Fred Noonan partiram de Miami para o trajeto de mais de 43 mil quilômetros. Pousaram na Nova Guiné 28 dias depois, quando faltavam 10 mil quilômetros.

Em 2 de julho, ela decolou para terminar o percurso, mas perdeu contato com o rádio na manhã seguinte e desapareceu em algum ponto isolado do oceano Pacífico. Após 16 dias, a Marinha americana encerrou as buscas. Amelia Earhart morria junto com um ciclo. A década seguinte seria o início do futuro da aviação.

Amelia Earhart, em 1935 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um estudo publicado na revista Forensic Anthropology defende que ossos encontrados em 1940 na ilha Nikumaroro, a cerca de 3 mil quilômetros de distância do Havaí, são de Amelia. Na época, a ossada foi encontrada junto com um sapato de mulher, um instrumento naval usado por Noonan e uma garrafa de licor Benedictine, bebida que Amelia levava nas viagens. Mas estudos indicaram que os ossos pertenciam a um corpo masculino.

Segundo o pesquisador Richard Jantz, da Universidade do Tennessee, "a osteologia forense não estava bem desenvolvida no início do século 20". No estudo, os especialistas utilizaram um software moderno para comparar os ossos com as proporções do corpo da pilota. "Essa análise revela que Earhart é mais parecida com a ossada de Nikumaroro do que 99% dos indivíduos em uma ampla amostragem de referência".