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Eduard Krebsbach: o monstro da SS que dizimava vítimas injetando gasolina em seus corações

Atuando como médico no campo de concentração de Mauthausen, alegou no julgamento que culminou em sua morte que realizou seu trabalho “da melhor maneira possível, porque era necessário”

Isabela Barreiros Publicado em 08/01/2020, às 17h55

Eduard Krebsbach, médico nazista
Eduard Krebsbach, médico nazista - Wikimedia Commons

Dentro dos campos de concentração nazista, muitos tipos de atrocidades eram cometidos com aqueles que o Estado considerasse tanto inúteis quanto repulsivos. Ainda assim, um caso específico choca o mundo até os dias de hoje, principalmente por sua frieza e determinação em fazer o que acreditava ser o correto.

Eduard Krebsbach era um médico alemão comum antes do regime de Hitler ser instaurado na Alemanha. Em 1941, porém, ele foi designado a tornar-se o Standortarzt — uma espécie de médico supervisor — no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria. Ele permaneceria três anos no comando do local até 1943.

Foi responsável por iniciar um processo mortal e terrível dentro do campo. Em suas mãos, prisioneiros russos, poloneses e tchecos foram mortos na maneira tradicional, que era o gás, mas também em uma “inovação” própria do médico: injeção letal de gasolina no coração.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Acredita-se que por volta de 900 encarcerados no local tenham morrido em consequência de suas ações. De acordo com o depoimento de Krebsbach, em um dos registros judiciais dos julgamentos de Dachau, ele recebeu ordens para “matar ou mandar matar todos aqueles que não podiam trabalhar e os doentes incuráveis​“.

A fala está presente em um dos diálogos do médico com o promotor do caso e encontra-se no livro de um dos prisioneiros que sobreviveram à Mauthausen, Hans Maršálek, ativista e historiador austríaco, que narra suas memórias e organiza documentos em “A história do campo de concentração de Mauthausen: Documentação” (originalmente Die Geschichte des Konzentrationslagers Mauthausen: Dokumentation”).

Por seu terrível método de assassinato a sangue frio, ele ficou conhecido no local como “Dr. Spritzbach” (Dr. Injeção, em português).

Mesmo que tenha sido instruído a matar aqueles que fossem “inúteis” ao trabalho forçado, muitas vezes o médico selecionava pessoas que ainda poderiam se recuperar de doenças leves ou pequenas fraturas para morrer pelas injeções.

Prisioneiros do campo de concentração de Mauthausen / Crédito: Wikimedia Commons

 

Josef Herzler, ex-detento de Mauthausen, narrou um caso que representava muito bem essa situação. “Se um preso judeu estava deitado no chão com um membro quebrado — uma ocorrência não incomum no trabalho — ele geralmente era jogado sobre um muro por um kapo. Se o Dr. Krebsbach estava passando, ele dizia ironicamente: 'Sim, este pé quebrado é um caso sem esperança”.

Quando o campo fechou, Krebsbach tornou-se "inspetor de epidemias“ na Letônia, Estônia e Lituânia. Ainda voltou a servir ao Exército alemão, servindo como médico sênior até o final de 1944. Depois disso, ainda trabalhou na mesma profissão em uma empresa privada. Até que sua vida normal acabou.

Com o fim da Segunda Guerra, as Forças Armadas estadunidenses organizaram julgamentos para condenar aqueles que cometeram crimes impiedosos em campos de concentração nazistas — Mauthausen incluso.

Momento em que tropas americanas invadiram o campo de concentração de Mauthausen, libertando os prisioneiros / Crédito: Wikimedia Commons

 

O médico nazista foi preso e sentenciado pelos julgamentos de Dachau, que aconteceram em maio de 1946. Condenado pelos seus crimes contra a humanidade, foi executado por enforcamento em 28 de maio de 1947 na prisão de Landsberg, na Alemanha.

“Nunca lhe ocorreu que o que estava fazendo era um crime?”, perguntou o promotor do caso durante o julgamento. “Não”, respondeu Krebsbach. “Eu realizei meu trabalho da melhor maneira possível, porque era necessário”, concluiu.


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