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As cinco mil noites de Giacomo Casanova, o maior mulherengo da História

Conheça sua vida e os truques que ele usava para conquistar as mulheres

Clézio Veloso Publicado em 20/10/2019, às 10h00

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Reprodução

Em 4 de junho de 1798, após ter dedicado seus últimos anos de vida à redação de suas Memórias, morria o escritor italiano Giacomo Girolamo Casanova, aos 73 anos.

Se para representar a Idade Média proliferaram os contos de cavalaria, que inundaram nossa imaginação com jovens em armaduras brilhantes lutando pela honra de suas donzelas, quando pensamos no século 18 vêm-nos à mente filósofos iluministas, reis coroados e nobres envolvidos com o diz-que-diz das cortes europeias, amores proibidos e duelos de pistola.

Se esse século virasse um filme, o ator principal bem poderia ser Giacomo Casanova. Ninguém soube viver tão bem como esse aventureiro nascido em Veneza, que se tornou mundialmente conhecido como o maior mulherengo de todos os tempos. 

Talentos

Aos 20 anos, Casanova já vivia solto pelo mundo. No campo profissional foi um privilegiado, exercendo tantas atividades quantos eram os seus talentos. Pequeno industrial, violinista, jogador de cartas, diplomata, espião, empresário e tradutor.

Também teria sido o fundador da loteria na França. De nada disso, no entanto, temos provas irrefutáveis. Sabe-se apenas que ele realmente falava outros idiomas. Há textos seus em latim, o que não chegava a ser um prodígio naqueles dias, e em grego.

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Uma das muitas vítimas de Casanova / Crédito: Getty Images

Mas, apesar da variedade de ofícios, nunca chegou a desenvolver nenhuma carreira específica. Pois desde muito jovem ele teria descoberto sua verdadeira vocação. Viver dos favores dos amigos e, sobretudo, das amigas, foi durante toda a sua vida a principal fonte de recursos.

Seu primeiro caso amoroso narrado em sua autobiografia Memórias foi no tempo do colégio, em Pádua. Ele teria feito sexo com Bettina, irmã de um amigo. Casanova tinha 9 anos de idade e ela passava dos 30. E ela lhe teria ensinado tudo sobre como agradar as mulheres.

Seus casos são muitos e se multiplicam nas diferentes biografias. Tanto que é difícil contar. Na verdade, há gente especializada em fazê-lo. O historiador alemão Friedrich Wilhelm Barthold foi o primeiro a tentar e publicou, em 1846, a obra Personagens Históricos nas Memórias de Casanova. Segundo ele, Casanova possui um currículo insuperável: ele transou com 5575 mulheres!

Mulher, mulher

As táticas utilizadas por Casanova variavam conforme o alvo (cada cor de cabelo, por exemplo, exigia uma estratégia distinta), mas o galanteio era a primeira de suas abordagens. O truque era dar a elas a impressão de que ele correspondia ao que desejavam. Tanto mais perfeito quisessem um homem, tanto mais ele seria. Se preferissem a rudeza dos camponeses, num matuto ele se transformava. Além disso, ele trabalhava duro para agradar a todas.

As peculiaridades dos trajes femininos daqueles dias deram origem a um dos mais curiosos capítulos das Memórias. Ao lado das habilidades com a espada, a oratória e os jogos de lógica, Casanova gaba-se de competência para manusear as vestes femininas, sempre com o intuito de se livrar delas, claro.

O traje íntimo de uma senhora era composto por tiras de tecido apertadas à cintura e ajustadas com hastes de metal ou de madeira, que desciam em forma de lança pelas pregas das saias. Em cima disso ainda vinha um saiote (alguns não tinham botões e eram costurados, todas as manhãs, pelas amas, antes de as nobres senhoritas saírem de seus quartos) e só então os vestidos, que eram muito amplos e sustentados por arcos de metal.

Dois trabalhos, portanto, tinha Giacomo: vencer a rotineira resistência moral e as vestes femininas. Por outro lado, com as próprias vestes ele não tinha que se preocupar: os homens, incluindo ele próprio, não costumavam tirar toda a roupa na hora do sexo.


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