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Mário Kozel Filho, o soldado morto por um atentado da Vanguarda Popular Revolucionária

Durante a ditadura militar, a organização política realizou um ataque ao Quartel General do II Exército, que resultou na morte do militar de 18 anos

Isabela Barreiros Publicado em 24/01/2021, às 07h00

Mário Kozel Filho, soldado do Exército
Mário Kozel Filho, soldado do Exército - Wikimedia Commons

Na madrugada do dia 26 de junho de 1968, uma grande explosão foi escutada no bairro do Ibirapuera, em São Paulo. Uma caminhonete havia sido arremessada no Quartel General do II Exército, batendo em um poste e explodindo os 20 quilos de dinamite em seu interior. Tratava-se de um ato terrorista. 

O ataque foi planejado por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização de esquerda que resistia à ditadura militar de maneira radical. Acelerando o carro, o motorista se jogou para fora antes de colidir na entrada do quartel, fugindo para longe em um dos três fuscas que participavam da ação.

O jovem 

O soldado Mário Kozel Filho / Crédito: Divulgação

 

Naquela noite, quem estava de guarda no quartel era o soldado nº 1803 do 4° Regimento de Infantaria, Mário Kozel Filho. Prestes a completar 19 anos, Mário cumpria o serviço militar obrigatório desde janeiro, planejando deixar o serviço no final do ano. Seu plano era voltar a trabalhar na Fiação Campo Belo, indústria da qual seu pai era gerente.

O jovem ocupava outro posto naquela noite, na Rua Abílio Soares. Mas, devido ao frio, ele pediu para trocar de lugar com o soldado José Relva Júnior alguns minutos antes do ataque, que começou às 4h30 do dia 26 de junho. Na Avenida Marechal Estênio Albuquerque, um veículo acelerava em direção aos fundos do Quartel-General do II Exército.

Foi Relva Júnior quem primeiro identificou movimentações suspeitas na caminhonete, atirando nos pneus para que ela parasse. Conforme conta o site do Comando Militar do Sudeste (CMSE), após seis tiros, o carro bateu em um poste, o que fez com que ele capotasse ao menos duas vezes. Isso fez com que o motorista saltasse do veículo antes da hora, impedindo que ele entrasse diretamente no quartel.

O homem, que estava dentro do veículo, o abandonou em movimento e correu em direção a outro carro da organização, que o aguardava. Como consequência, o carro-bomba, lançado por Diógenes José Carvalho de Oliveira, Pedro Lobo de Oliveira e José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, atingiu a parede do quartel. 

Kozel Filho se aproximou do local do choque, com o objetivo de socorrer uma possível vítima. Foi quando o carro explodiu, atingindo uma área de 300 metros — e deixando o soldado em pedaços. Além dele, outros seis militares se feriram gravemente durante o atentado.

Depois da ação

Homenagem a Mário Kozel Filho / Crédito: Divulgação - Comando Militar do Sudeste (CMSE)

 

O ato que causou a morte do jovem militar, o ferimento de mais seis e os danos Quartel-General do II Exército foi posteriormente atribuído à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Os motivos para o atentado foram explicados trinta anos depois pela ex-integrante do VPR, Renata Ferraz.

Segundo ela, alguns dias antes da ação tomar forma, o grupo tinha roubado armas de um hospital militar, o que levou o comandante do II Exército, general Manoel Rodrigues Carvalho de Lisboa, a desafiar os guerrilheiros a entrar nos quartéis dele.

Aceitando a provocação, o grupo resolveu lançar um carro-bomba no quartel. De acordo com Renata, os integrantes se penitenciaram por aceitarem a provocação do general.

Uma informação importante sobre o evento é que a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, não teve participação no atentado. No ano passado, o Estadão verificou a informação após notícias falsas circularem no Facebook em redes bolsonaristas alegando que a política estava envolvida no atentado.

O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC ), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), descreve que Rousseff integrava, na verdade, o Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo guerrilheiro que passou a agir junto com a VPR apenas um ano depois da ação, em 1969.

O Estadão também confirmou que não existem evidências de que a ex-presidente tenha atuado em ações armadas de maneira geral durante a ditadura militar.


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