Matérias » Ditadura Militar

Quem foi Mário Kozel Filho?

Conheça o militar que morreu em 1968, aos 19 anos, durante um ataque ao Quartel General do II Exército

Maria Joaquina Publicado em 08/11/2019, às 07h00

Mário Kozel Filho, soldado do Exército
Mário Kozel Filho, soldado do Exército - Wikimedia Commons

Na madrugada do dia 26 de junho de 1968, uma grande explosão foi escutada no bairro do Ibirapuera, em São Paulo. Uma caminhonete havia sido arremessada no Quartel General do II Exército, batendo em um poste e explodindo os 20 quilos de dinamite em seu interior.

O ataque foi planejado por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização de esquerda que resistia à Ditadura Militar de maneira radical. Acelerando o carro, o motorista se jogou para fora antes de colidir na entrada do quartel, fugindo para longe em um dos três fuscas que participavam da ação.

O JOVEM NO QUARTEL

Naquela noite, quem estava de guarda no quartel era o soldado nº 1803 do 4° Regimento de Infantaria, Mário Kozel Filho. Prestes a completar 19 anos, Mário cumpria o serviço militar obrigatório desde janeiro, planejando deixar o serviço no final do ano. Seu plano era voltar a trabalhar na Fiação Campo Belo, indústria da qual seu pai era gerente.

O jovem ocupava outro posto naquela noite, na Rua Abílio Soares. Mas, devido ao frio, ele pediu para trocar de lugar com o soldado José Relva Júnior alguns minutos antes do ataque. Foi Relva Júnior quem primeiro identificou movimentações suspeitas na caminhonete, atirando nos pneus para que ela parasse. Isso fez com que o motorista saltasse do veículo antes da hora, o que impediu que ele entrasse diretamente no quartel.

O carro-bomba, lançado por Diógenes José Carvalho de Oliveira, Pedro Lobo de Oliveira e José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, explodiu quando Kozel Filho estava se aproximando, atingindo uma área de 300 metros e deixando o soldado em pedaços. Outros seis militares se feriram gravemente. Kozel foi sepultado no Cemitério do Araçá.

Trinta anos depois, a ex-integrante do VPR, Renata Ferraz, explicou as motivações do atentado. Alguns dias antes, o grupo tinha roubado armas de um hospital militar, o que levou o comandante do II Exército, general Manoel Rodrigues Carvalho de Lisboa, a desafiar os guerrilheiros a entrar nos quartéis dele.

Aceitando a provocação, o grupo resolveu lançar um carro-bomba no quartel. Segundo Renata, os integrantes se penitenciaram por terem aceito a provocação do general, e o atentado "não serviu para nada, só pra tirar a vida do rapazinho". Posteriormente, Renata foi expulsa do VPR, junto a outros companheiros contrários à realização de ações armadas.


Saiba mais sobre o assunto através das obras abaixo:

O Capitão Lamarca e a VPR: Repressão Judicial no Brasil, de Wilma Antunes Maciel

Link - https://amzn.to/32obGAQ

1964: História do Regime Militar Brasileiro, de Marcos Napolitano

Link - https://amzn.to/2PWgnPE

Ditadura à brasileira: 1964-1985 a democracia golpeada à esquerda e à direita, de Marco Antonio Villa

Link - https://amzn.to/33ufMsr

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.