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Um padre no inferno: a cruel saga de Maximiliano em Auschwitz

Sendo devoto de Nossa Senhora, o sacerdote desistiu da própria vida para salvar um comandante judeu no terrível campo de concentração.

Caio Tortamano Publicado em 08/01/2020, às 08h00

São Maximiliano Maria Kolbe
São Maximiliano Maria Kolbe - Wikimedia Commons

Franciszek Gajowniczek era um homem destinado a morrer no campo de concentração de Auschwitz. Membro da resistência judaica na Polônia, o sargento foi sentenciado à morte e seria morto pelas mãos dos guardas do campo como consequência da fuga de outro prisioneiro.

Seu destino estava traçado, entretanto, Rajmund Kolbe apareceu no exato momento e aceitou passar fome no lugar do sargento. Kolbe era um padre missionário, da ordem de Maria Imaculada, e passou diversos anos em sua missão de fé propagando a mensagem da santa.

Nascido em 1894, o então garoto polonês presenciou uma aparição de Nossa Senhora, e ficou marcado pelo resto da vida com ela. Enquanto estava no convento, aos 16 anos de idade o futuro padre decidiu dar início ao noviciado.

Tornou-se propriamente Frei em 1914, e passou a se chamar Frei Maximiliano “Maria” Kolbe. Maria foi incorporado ao seu nome por causa de sua devoção. Fundada em 1917 por sete jovens frades (incluindo Maximiliano), era uma ordem cristã com o objetivo de conquistar o maior número de fiéis possíveis sob mediação da santa em questão.

Voltando para a Polônia, o religioso se inscreveu no Seminário Franciscano da cidade. O ministro-geral da Ordem dos Franciscanos convidou os frades da ordem para que se dedicassem às obras missionárias, ao que Rajmund adotou para sua vida.

Rodou o mundo, mas voltou para a Polônia para estabelecer a ordem religiosa que fundara definitivamente. Por não se curvar às vontades nazistas, foi preso pela Gestapo em 17 de fevereiro de 1941, e levado para Auschwitz com outros 320 presos.

Era política no campo de concentração que diante de toda fuga que se concretizasse no local, outros presos seriam levados para uma cela subterrânea privados de luz, água e comida. Lá, os escolhidos deveriam permanecer até a morte.

Maximiliano assumiu a senteçã do polonês depois de ter ouvido o homem suplicar pela vida de sua mulher e de seus filhos. Na solitária, Kolbe celebrava missas e recitava cânticos, encorajando-os e dizendo que logo estariam no céu.

Depois de duas semanas, apenas Kolbe e outros três prisioneiros continuaram vivos. Visando esvaziar a cela, os guardas nazistas deram uma injeção letal no padre. Ao se dirigirem a Maximiliano para injetar o ácido carbônico em suas veias, ele estendeu levemente o braço, sem medo da morte.

Em 1982, durante uma celebração solene com o Papa João Paulo II, o franciscano foi canonizado pela Igreja Católica, tornando-se São Maximiliano Maria Kolbe.

Cerimônia de celebração de beatificação de Maximiliano / Crédito: Getty Images

 

Em 1998, a Igreja da Inglaterra ergueu uma estátua do santo em frente à Abadia de Westminster, fazendo parte de um conjunto de mártires do século 20.


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