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Morte, perseguição e conspiração: o trágico destino dos filhos de Stalin

Marcados pela indiferença do pai, os filhos do tirano vivenciaram histórias contraditórias e até mesmo insólitas

Caio Tortamano Publicado em 26/11/2019, às 09h14

Vasily, Svetlana e Stalin (respectivamente)
Vasily, Svetlana e Stalin (respectivamente) - Getty Images

A vida conturbada de Stalin teve consequência direta para seus filhos. Fruto da união com Kato Svanidze, o militar Yakov Dzhugashvili não chegou a crescer com a sua mãe, que morreu após contrair Tifo quanto ele tinha apenas 9 meses de vida.

Na época do óbito, Stalin era um jovem revolucionário, e acreditava que seu estilo de vida não permitiria a criação de uma criança. Por isso, Yakov viveu até os 14 anos com a família de sua mãe. Em seguida, se mudou para Moscou, onde seu pai já era uma importante figura do partido Bolchevique.

Extremamente tímido e quieto, Yakov teve uma infância infeliz e tentou suicídio algumas vezes ao longo de sua vida. Na primeira, em que tentou se matar com um tiro, Stalin teria retrucado o acontecimento, afirmando que o filho “não sabia sequer atirar”.

Yakov entrou para o exército em 1941, justamente pouco antes da Alemanha nazista invadir a União Soviética. Enviado para o front, o primogênito acabou sendo capturado pelos nazistas e levado para um campo de concentração.

Yakov sob interrogatório enquanto preso no campo de concentração / Crédito: Getty Images

 

Diante do horror que encontrou, Yakov faleceu no campo de concentração por motivos nunca esclarecidos, os alemães afirmam que ele morreu eletrocutado ao tentar fugir do local. Outras fontes indicam que ele teria se matado. 

Vasily Dzhugashvili 

Vasily foi o segundo filho do líder soviético. Nascido em 1921, ele teve uma grande carreira militar e aos 20 anos já era coronel da Força Aérea Soviética. Em 1943, foi designado a comandar 26 combates aéreos durante dois meses.

Jovem Vasily / Crédito: Getty Images

 

De 1946 a 1948, ele foi promovido a Major-General, Tenente-General e Comandante das Forças Aéreas do Distrito Militar de Moscou, respectivamente.

A sorte não esteve ao seu favor. Depois da morte de seu pai, em 1953, Vasily foi preso por ter, supostamente, revelado informações confidenciais durante um jantar com diplomatas estrangeiros. Ele foi acusado de denegrir a imagem da União Soviética e negligência.

Durante o julgamento, Vasily estranhamente confessou ter cometido todas as queixas prestadas contra ele, inclusive as mais absurdas possíveis, levantando dúvidas sobre a legitimidade do julgamento.

Ele foi sentenciado a 8 anos de prisão, sendo solto em 1960. O Partido Comunista garantiu uma pensão, um apartamento em Moscou e a permissão de poder vestir sua farda militar juntamente com suas medalhas de honra.

Vasily morreu em 1962 devido ao seu alcoolismo crônico.

Svetlana Alliluyeva

A filha mais nova de Stalin perdeu a mãe (a mesma de Vasily) aos seis anos de idade, após um controverso suícidio. Assim como os outros filhos do chefe de Estado, Svetlana cresceu distante do pai, sendo criada por babás e ajudantes.

Aos 16 anos, ela entrou em um romance com um cineasta judeu de 38 anos, fato que desagradou profundamente seu pai, que sentenciou o rapaz a confinamento nos Gulags.

Aos 17 anos, Svetlana se apaixonou por um colega da faculdade, e se casou depois de Stalin relutar profundamente - o ódio era tão profundo que o tirano nunca conheceu o genro. Ela ainda casaria mais uma vez e se separaria logo em seguida.

Após a morte de seu pai, Svetlana se aproximou da embaixada americana que havia em Nova Déli, na Índia. Relatando os problemas que enfrentava em escrever livremente na União Soviética, a mulher quis buscar sua verdadeira paixão que já lhe havia sido negada pelo próprio enquanto vivo.

Ela deixou o país e seus filhos, já adultos, para trás. Eles não chegaram a retomar contato pois não acreditavam que a relação daria certo por conta do temperamento da própria mãe, extremamente perturbada com a criação que teve.

Svetlana / Crédito: Getty Images

 

Em 1967, Svetlana se mudou para Nova York e, lá, convocou uma coletiva de imprensa onde ela denunciou o antigo regime de seu pai e o então governo de Khrushchev. Na União Soviética, o lançamento de sua autobiografia, diante do aniversário da Revolução Russa causou um grande alvoroço no país, e criou mais um atrito entre EUA e Rússia.

O serviço secreto da Rússia, a KGB, chegou a elaborar um plano para matá-la, mas não chegou a ser executado. Em 1970, ela trocou seu nome por Lana Peters e se casou com o filho da viúva do autor Frank Lloyd Wright.

A viúva era extremamente apegada ao misticismo e acreditava que Svetlana era uma substituta espiritual da mulher antiga de seu filho, William Peters, que havia morrido em um acidente de carro.

A união acabou terminando pela pressão que a mulher do escritor exercia sob o casal. A última filha viva de Stalin faleceu em 2011, devido a um câncer no cólon.


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