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Charlotte: Seria ela a primeira rainha da Grã-Bretanha com origens africanas?

Historiadores traçaram a linhagem da monarca e acreditam que ela pode ter sido descendente de uma mulher africana

Isabela Barreiros Publicado em 27/08/2019, às 17h00

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A Rainha Charlotte pintada por Allan Ramsay / Crédito: Reprodução

Em 1996, no programa Frontline, da emissora americana Public Broadcasting Service (PBS), historiadores afirmaram pela primeira vez que a Rainha Charlotte descendia de uma mulher africana, Madragana Ben Aloandro, amante do rei português Afonso III de Portugal. Esse fato a tornaria a primeira rainha negra da Grã-Bretanha.

Segundo o pesquisador e historiador Mario de Valdes y Cocom, especialista em diáspora africana, "seis linhas diferentes podem ser traçadas ligando a rainha inglesa Charlotte e Margarita de Castro e Sousa". Margarita, uma nobre do século XV, descendia de Madragana Ben Aloandro, a amante de Afonso III. Assim, a nobre estaria diretamente ligada ao ramo negro da Casa Real Portuguesa.

A Rainha Charlotte por Johan Zoffany, 1771-72 / Crédito: Reprodução

 

Madragana foi descrita pelo cronista português Duarte Nunes de Leão como moura, um nome que caracterizava os nativos do norte da África. O historiador Paulo Rezzutti, especialista na história de monarquias, concorda. "Realmente ele [Afonso III] teve uma amante e dois casais de filhos com ela. Mas ela não era negra. Era moçárabe, que são africanos do norte da África, com pele mais clara e, em geral, sem traços negroides — como os marroquinos."

A distância entre Charlotte e a amante é de 15 gerações, mas relatos da época atestam algumas características físicas da rainha como as de pessoas negras. O médico próximo da realeza Christian Friedrich Freiherr Von Stockmar descreveu a moça como "dona de uma verdadeira face mulata". Além dele, Sir Walter Scott também disse que ela tinha um “nariz muito largo” e “lábios muito grossos”.

Outro fato interessante é o retrato de Charlotte. Allan Ramsay, pintor, retratista e abolicionista escocês, foi quem pintou a rainha com o que alguns consideram traços africanos. Mesmo não sendo possível observar isso claramente, é apontado também que pintores nem sempre ilustravam os nobres com total sinceridade em suas pinturas.

Crédito: Reprodução

 

Sophia Charlotte de Mecklenburg-Strelitz era princesa no pequeno ducado de Mecklenburg-Strelitz, no norte da Alemanha, que ainda fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico. Ela deixou seu reino para casar-se com o rei Jorge III da Grã-Bretanha.

A rainha ficou conhecida por ser uma grande amante da música, das artes e da botânica, além de ser a segunda consorte com mais tempo no trono britânico, permanecendo rainha por 57 anos e setenta dias.