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Lenda do Maranhão: o macabro mito de Ana Jansen

Famosa no folclore maranhense, Ana foi uma empresária implacável e alvo de controvérsias durante o Brasil Império

Alana Sousa Publicado em 13/05/2020, às 09h42

Capa do álbum da banda Facing Fear
Capa do álbum da banda Facing Fear - Eduardo Untura

Ana Jansen, também conhecida como Donana, foi uma mulher a frente de seu tempo. Muito se especula sobre sua vida, mas a importância como mulher no século 19 está, até hoje, marcada na história do Brasil Império.

 Donana nasceu em 1787, foi expulsa de casa pelo pai quando engravidou, pois a paternidade era desconhecida. Tornou-se uma mulher considerada desonrada, era mãe solteira e impura — por não ser mais virgem.

Após um período de dificuldade extrema conheceu o coronel Isidoro Rodrigues Pereira, na época, o homem mais rico da província. Ana logo se transformou em sua amante, e mudou-se com o filho para uma casa cedida por ele. Manteve a posição como amante até a morte da esposa de Isidoro, quando então, eles se casaram e permaneceram juntos por 15 anos. O relacionamento gerou seis filhos.

Ana conquistou o respeito da sociedade do século 19 com seu casamento. Desenvolveu um papel crucial nos negócios da família. Com a morte de Isidoro, Jansen passou a conduzir a maior produção de algodão e cana-de-açúcar do Império, além de possuir o maior número de escravos da região. Recebeu o apelido de Rainha do Maranhão.

Ana Jansen / Crédito: Reprodução

 

Importante liderança política da cidade, Ana enfrentava todo tipo de preconceito, com a fama de ser uma grande empresária, ela também era mal vista por ser uma mulher e desempenhar um papel de poder. Histórias sobre sua crueldade começaram a circular entre a população local.

A Rainha do Maranhão era conhecida por sua dureza e extremo autoritarismo com que tratava seus funcionários e, principalmente, seus escravos. Os serviçais que não a obedeciam eram mutilados e torturados até implorarem pela morte. Tese contestada por alguns historiadores, entre eles Rodrigo do Norte, historiador e guia turístico no Maranhão.

Em entrevista concedida ao portal O Estado do Maranhão, Rodrigo conta que essas histórias não passam de boatos para difamar Ana: “Ela maltratava escravo assim como toda a sociedade brasileira maltratava, não era exclusividade dela”.

Entretanto os boatos só aumentaram ao passar dos anos. Com sua morte, em 1889, aos 82 anos, nasceu a lenda da Rainha do Maranhão. Segundo o folclore, o casarão onde Donana morava hoje é assombrado pelas almas dos escravos lá mortos.

Casarão de Ana Jansen / Crédito: Reprodução

 

A lenda mais famosa, no entanto, é a da carruagem de Ana Jansen. De acordo com o mito, por suas ações em vida, a mulher teria sido condenada a passar a eternidade vagando pelas ruas em uma carruagem fantasmagórica. Durante as noites de sexta-feira o veículo perambula pelas ruas conduzido por um escravo ensanguentado sem cabeça, e cavalos também decapitados. Outra versão substitui os cavalos por uma mula sem cabeça.

Hoje Donana é vista como símbolo de resistência feminina, além de atrair diversos turistas e curiosos para os lugares por onde passou.