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Guerra contra o Brasil Império: Há 185 anos, começava a Revolução Farroupilha

Durante o conflito, os revoltosos pediam maior autonomia para as províncias

M. R. Terci Publicado em 20/09/2020, às 00h00

Pintura representando a Revolução
Pintura representando a Revolução - Wikimedia Commons

A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos irrompeu no Rio Grande do Sul em setembro de 1835 e durou até o ano de 1845. De caráter republicano, portanto, contrário ao governo imperial brasileiro, os revoltosos buscavam maior autonomia para as províncias, menos impostos e iguais vantagens em relação aos produtos de outros países, especialmente em relação ao comércio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul.

Contudo, enquanto ardiam ferozes as chamas do conflito, um perigo externo ameaçava a fronteira do país ao Sul. Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, descobrir como um ardil argentino saiu pela culatra e finalizou com 10 anos da mais intensa e cruenta das guerras civis sul-americanas.

O ditador argentino Juan Manuel de Rosas, que sonhava com a restauração territorial do antigo vice-reino do Prata, estava interessado na manutenção da peleja sulista que ameaçava o Império do Brasil e com toda certeza provocaria a separação da província rio-grandense.

Nesse sentido, o maquiavélico caudilho enviou emissários à Canabarro, líder dos farrapos, oferecendo aliança e disponibilizando tropas e armamento pesado para combater as forças imperiais de Dom Pedro II. A resposta de Canabarro entrou para a história como a mais patriótica declaração de brasilidade que se viu:

“Senhor,” – respondeu Canabarro ao emissário – “o primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira, fornecerá o sangue com que assinaremos a paz com os Imperiais. Acima de nosso amor à República está nosso brio de brasileiros. Quisemos ontem a separação de nossa pátria; hoje, almejamos a sua integridade. Vossos homens se ousarem invadir nosso país, encontrarão, ombro a ombro, os republicanos de Piratini e os Imperiais do Senhor Dom Pedro II”.

Nada mais foi preciso. O perdão e a anistia plena aos revoltosos se processou por intermédio dos comandantes legalistas Caxias, Osório e Porto Alegre, que diante da resposta de Canabarro a Rosas, instaram junto a sua Majestade Imperial para obter o indulto, pois levavam em conta a importância dos revolucionários e sua utilidade para o país, porque a guerra na fronteira já se prenunciava e o uso da cavalaria farroupilha aliado ao profundo conhecimento da região seria indispensável na Guerra do Prata.

Guerra dos Farrapos, de 1893 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Chegara ao fim a mais importante das guerras civis sul-americanas, epopeia de sacrifícios inauditos, de atos de bravura inigualáveis, peleja notória pela sua longa duração, pela beleza de seus ideais e pelo valor de seus campeões.

Giuseppe Garibaldi, conhecido como herói de dois mundos, devido à sua participação em conflitos na Europa e na América do Sul, general cuja liderança possibilitou a unificação da Itália e que também atuou como comandante da marinha farroupilha, contou, certa vez, a seu amigo e biógrafo Alexandre Dumas:

“Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações. ”

Na iminência da Guerra contra Rosas, o Rio Grande do Sul era a linha de frente.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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