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O mistério não resolvido de Richard Colvin Cox, o cadete que desapareceu nos Estados Unidos

Após visitas de um homem misterioso, o país se deparou com um caso que gera mais dúvidas do que respostas até os dias atuais

Isabela Barreiros Publicado em 10/03/2020, às 17h05

O cadete americano Richard C. Cox
O cadete americano Richard C. Cox - Wikimedia Commons

Após se formar em uma escola pública em Mansfield, no estado do Texas, Estados Unidos, Richard Colvin Cox se voluntariou para servir no Exército dos Estados Unidos, como muitos outros estadunidenses. No ano de 1946, passou a fazer parte da Polícia dos Estados Unidos, um corpo de gendarmes, que servia como uma espécie de polícia à Alemanha ocupada pelos Aliados.

Cox começou efetivamente a missão de seu país no território germânico em maio de 1947. Naquele ano, a sede da polícia estava localizada na cidade de Coburg, dentro da zona de ocupação estadunidense na Alemanha.

Depois disso, voltou aos Estados Unidos e entrou na Academia Militar dos Estados Unidos em West Point, Nova York, em maio de 1948. Ali, um dos maiores mistérios do país aconteceria. Por mais que sua trajetória parecesse muito com a de qualquer outro cadete estadunidense, o que viria a acontecer com ele não foi nada comum.  

Em janeiro de 1950, a incógnita que dura até os dias de hoje começou. Às 16h45 do sábado, dia 7 daquele mês, um homem ligou para o quarto em que Cox ficava na Academia Militar. Um amigo do jovem atendeu, o responsável por realizar as chamadas destinadas a outros estudantes, Peter Hains.

Quando foi perguntado sobre a entonação da ligação, tempos depois, disse que "o tom do interlocutor era áspero e condescendente, quase insultuoso". Hains informou a ele que Cox não estava em seu quarto no momento da ligação.

Ao que o homem respondeu: “apenas diga a ele que George ligou — ele saberá quem eu sou. Nos conhecemos na Alemanha. Estou aqui por um pouco mais e diga a ele que gostaria de sair para comer”.

Hains, porém, disse mais tarde que não entendeu totalmente que nome o desconhecido lhe dissera. Poderia ter sido George — ele não lembrava principalmente devido ao fato de atender inúmeras ligações por dia, e também por não ter dado muita atenção ao pedido aparentemente comum do homem do outro lado da linha. Outra questão para, ainda hoje, não sabermos o nome dele é o fato de Cox nunca ter se referido a ele pelo nome.

Jornal que narrou o possível fim de Richard C. Cox / Crédito: Domínio Público

 

No mesmo dia, mais ou menos uma hora depois, às 17h30, um homem entrou em Grant Hall e solicitou que chamassem o cadete. Naquele local, os estudantes podiam receber visitantes de fora da Academia Militar. O jovem que estava de plantão na sala ligou para Cox e pediu que ele descesse, pois tinha uma visita.

O homem misterioso foi descrito com menos de 1,8m de altura e por volta de 80 kg. Loiro e de pele clara, ele estava utilizando um casaco escuro quando foi visitar o estadunidense. Os dois apertaram as mãos, o que demonstrou que eles realmente já se conheciam. O cadete que testemunhou a cena ainda disse que Cox parecia feliz em ver o outro.

Ele assinou o livro de partidas, um documento que demonstrava os horários em que os estudantes militares estavam saindo do campus, e também voltando para dentro do local. Eles teriam saído para almoçar, no entanto, mais tarde naquele dia, o jovem admitiu a seus colegas de quarto que os dois não comeram, mas sim beberam uísque dentro do carro do homem, que estava parado no estacionamento da instituição.

Mas, ainda naquela noite, em um horário indeterminado, Cox foi até o livro novamente e alterou o horário que teria saído e entrado no instituto. Isso ficou conhecido apenas dois anos depois, quando a caderneta de registros foi analisada novamente. Se isso tivesse sido noticiado enquanto o cadete ainda estava na Academia, provavelmente teria sido expulso por violar o Código de Honra estabelecido.

Tudo o que se sabe sobre o homem foi contado por ele aos seus colegas na manhã seguinte. O indivíduo era guarda-florestal pelo Exército dos Estados Unidos, e eles se conheceram na Alemanha, enquanto serviam na mesma unidade. Mas ele era muito agressivo: segundo o que Cox narrou, o homem se gabava de ter assassinado alemães durante a Segunda Guerra e também de cortar as partes íntimas dessas pessoas.

Documento da investigação de Richard Colvin Cox / Crédito: Domínio Público

 

Cox ainda saiu com o homem pela segunda vez no dia seguinte, voltando para a instituição por volta das 16h30. Durante aquela semana, nada mais aconteceu. O cadete ainda disse para seus amigos que "esperava não ver o sujeito novamente", demonstrando repúdio a ele.

Mas uma semana depois do primeiro encontro deles, o estudante foi visto com um homem que testemunhas pensaram ser o tal “George”. A descrição era diferente do que anteriormente era dito sobre ele, apresentando cabelos "cabelos escuros e aparência grosseira". Mais tarde, os dois saíram novamente — e nunca mais foram vistos.

O desaparecimento sem rastros do cadete gerou uma enorme investigação que envolveu até mesmo o FBI. No entanto, tudo que se sabe, até os dias de hoje, não passam de especulações feitas por pessoas interessadas no assunto. No livro Oblivion: The Mystery of West Point Cadet Richard Cox (Oblivion: O mistério do cadete de West Point Richard Cox), Harry J. Maihafer narra algumas dessas possibilidades.

As duas hipóteses mais consideradas são, primeiro, que ele teria, deliberadamente, fugido com o home, que poderia ter sido uma espécie de tutor que o ajudaria a mudar de carreira. Cox possuía 87 dólares guardados em seu quarto na Academia Militar, o que ajudou nessa teoria que ele teria fugido para iniciar uma nova vida longe do instituto.

A outra suspeita é de que ele teria entrado em alguma agência secreta do governo dos Estados Unidos, tal qual a famosa CIA. No entanto, não passa de especulação e a incógnita ainda gera receio no imaginário estadunidense.  


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