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Richard Speck: O serial killer que matou brutalmente 8 enfermeiras em uma noite

Em uma gravação anônima, um prisioneiro pergunta a Speck se ele havia cometido o crime. Sem remorso, o criminoso respondeu: “Não era a noite delas” e riu

Fabio Previdelli Publicado em 02/03/2020, às 18h00

Richard Benjamin Speck, o serial killer que matou oito enfermeiras em uma noite
Richard Benjamin Speck, o serial killer que matou oito enfermeiras em uma noite - Getty Imagens

Richard Benjamin Speck nasceu na pequena cidade de Monmouth, Illinois, em 1941. Filho de pais religiosos, ele viu seu mundo desabar quando seu pai morreu vítima de um ataque cardíaco aos 53 anos — na ocasião, o pequeno Richard tinha apenas seis anos de idade.

Anos depois, sua mãe se casou com um vendedor de seguros do Texas, Carl August Rudolph Lindenberg, o qual ela conheceu em uma viagem de trem para Chicago. No entanto, Carl era completamente oposto do homem que Speck tinha como ídolo: seu falecido pai.

Seu padrasto possuía uma longa ficha criminal, além de constantemente ficar bêbado e abusar verbalmente dele e de sua família. Sua mãe se casou com Lindenberg em 10 de maio de 1950 e, posteriormente, se mudaram para East Dallas, no Texas, onde passavam de casa em casa, vivendo em muitos bairros mais pobres da cidade.

Speck era pouco sociável e não costumava ter muitos amigos. Na escola ele se recusou a usar os óculos que precisava e não falava em sala de aula devido à ansiedade. Por conta disso, ele repetiu a oitava série e acabou largando os estúdios no segundo semestre no seu primeiro ano do ensino médio.

Naquela época, Richard já havia adquirido o hábito de beber, assim como seu padrasto, e ficava bêbado quase todos os dias. Como consequência, ele foi preso a primeira vez em 1955 — quando ainda tinha apenas 13 anos — por invasão. No entanto, esse não foi seu único delito, ao longo dos oito anos seguintes ele foi preso outras vezes pelos mais diferentes delitos.

Ele tinha vários empregos regulares, e no mais duradouro deles ficou quase três anos trabalhando no engarrafamento do 7-up. Em outubro de 1961, Speck conhece Shirley Annette Malone, de 15 anos. A jovem engravidou após três semanas de namoro e os dois se casaram em 19 de janeiro de 1962.

Richard Speck em um tribunal / Crédito: Getty Imagens

 

Entretanto, essa vida mais compromissada não afastou Speck da vida de crimes e cárcere. Antes de completar 24 anos ele já acumulava 41 prisões, em uma delas ele tatuou em seu braço a frase “nascido para elevar o inferno”.

Casamento e assassinato

Suas sucessivas prisões refletiram em seu relacionamento. Sua mulher relatou que ela sofria constantes estupros com uma faca e de que Speck a exigia que eles fizessem sexo de quatro a cinco vezes por dia.

Em 1965, ele atacou uma mulher no estacionamento de seu prédio com uma faca de 40 centímetros. Embora ela tenha escapado, o criminoso acabou sendo preso, recebendo uma sentença de 16 meses — mas ele foi liberado após seis meses devido a um erro.

Temendo por sua vida e de sua filha, Shirley pediu divórcio e assumiu a custódia total da criança. De acordo com o livro ‘The Crime of the Century: Richard Speck and the Murders That Shocked a Nation’ a violência de Speck só aumentou daqui em diante.

Depois de voltar para Monmouth, para morar com sua irmã, ele esfaqueou um homem em uma briga de bar, roubou um carro e uma mercearia, e depois assaltou, torturou e estuprou uma mulher de 65 anos.

Mugshot de Richard Speck / Crédito: Getty Imagens

 

Uma semana depois, ele matou uma garçonete de 32 anos que trabalhava na taberna de seu cunhado: a Frank's Place. Depois de ser interrogado como suspeito pelo crime, ele saiu da cidade e foi morar com outra de suas irmãs em Chicago., em 19 de abril de 1966.

A quase vida na marinha e seu pior crime

Richard passou um tempo no apartamento de sua irmã Martha, que era casada com Gene Thornton, com o qual tinha dias filhas. Gene, que havia servido na Marinha dos EUA , achava que a Marinha Mercante dos Estados Unidos poderia fornecer uma ocupação adequada para seu cunhado desempregado.

Após ficar aguardando cinco dias por uma atribuição, ele retornou a Marinha e descobriu que sua vaga tinha sido dada a outra pessoa. Enfurecido, ele foi afogar as mágoas em uma bebedeira intensa.

Já na taberna, ele conheceu Ella Mae Hooper, uma mulher de 53 que passou o dia bebendo com ele. Speck acabou acompanhando a mulher em sua casa, lá ele a estuprou e roubou uma pistola de calibre 22.

Agora armado, ele partiu pelas ruas de South Side, onde encontrou uma casa que servia como dormitório para nove estudantes de enfermagem do Hospital Comunitário do Sul de Chicago. Sem hesitar, ele entrou por uma janela que não estava trancada e foi até os quartos, já era quase 23 horas.

Ele bateu primeiro na porta da estudante de intercâmbio filipina Corazon Amurao, de apenas 23 anos. No mesmo quarto estavam Merlita Gargullo e Valentina Pasion, ambas com 23 anos. Com  arma em mão, ele ordenou que o trio seguisse para o próximo quarto, onde estavam Patricia Matusek (20 anos), Pamela (Wikening (20 anos) e Nina Jo Schmale(24).  

Speck acordou as meninas do segundo quarto e amarrou todas a seis com tiras de lençol nos pulsos. Amurao, a única sobrevivente da tragédia, afirmou mais tarde: “As meninas americanas nos disseram que nos tínhamos que confiar nele. Talvez se estivéssemos calmas e quietas, ele também ficaria. Ele estava conversando com todas nós e parecia bem calmo, o que seria um bom sinal”.

Mas as aparências enganam, o assassino levou uma por vez para fora da sala, onde esfaqueou ou estrangulou cada uma das mulheres até a morte. Amurao disse que nenhuma de suas amigas gritava enquanto eram levadas da sala, mas depois era possível ouvir gritos abafados.

Em uma das saídas do assassino, ela aproveitou e saiu rolando para debaixo de uma cama que estava no quarto. No meio dessa carnificina, outras duas estudantes que moravam no dormitório chegaram na casa. Mas elas foram esfaqueadas antes de conseguirem fazer algo.

A última residente só chegou tarde da noite, depois que foi deixada lá pelo namorado. Gloria Jean Davy, de 22 anos, foi a única entre as mulheres que foi estuprada e brutalizada sexualmente antes de ser estrangulada.

As vítimas de Richard Speck / Crédito: Getty Imagens

 

Com todas essas chegadas tardias, Speck perdeu a conta de suas vítimas e acabou esquecendo que ainda faltava Amurao, que ficou escondida embaixo da cama até as 6 horas da manhã. Após se sentir segura o suficiente, ela fugiu do local pela janela mais próxima e pelas ruas começou a gritar: “Elas estão todas mortas. Minhas amigas estão todas mortas, Oh Deus, eu sou a única viva”. Ele continuou gritando até ser parada pela polícia.

Encarceramento e morte

Embora o criminoso tenha fugido da cena do crime, acabou sendo facilmente reconhecido depois que foi a um hospital alguns dias depois do crime. Um médico havia reconhecido sua tatuagem depois que leu a história no jornal e imediatamente chamou a polícia.

Ele foi levado a julgamento pelos assassinatos, mas, apesar de afirmar não ter lembranças dos crimes, a promotoria tinha certeza da condenação por conta da testemunha ocular. Amurao foi testemunhar no julgamento, ficando frente a frente como o homem que ceifou a vida de suas colegas.

Em um momento dramático, ela apontou para ele, quase tocando seu peito, e disse: "Este é o homem". A promotoria também encontrou impressões digitais correspondentes a Speck na cena do crime.

O julgamento do maníaco foi uma sensação nacional. Foi uma das primeiras vezes na história americana do século 20 que alguém matou tantas pessoas aleatoriamente. Para muitos na época, isso era visto como o fim de uma era de inocência, quando nunca se supunha que alguém mataria vítimas indefesas sem uma motivação clara.

Após apenas 45 minutos de deliberação, o júri voltou com um veredicto de culpado por Speck. Ele recebeu inicialmente uma sentença de morte, mas isso foi reduzido à prisão perpétua em 1971, quando a Suprema Corte decidiu que as pessoas que se opunham à pena de morte eram inconstitucionalmente excluídas do júri.

Speck cumpriu essa sentença no Stateville Correctional Center, em Illinois. Durante todo o seu tempo lá, ele foi pego regularmente com drogas e bebidas. Ele recebeu o apelido de "homem pássaro" porque mantinha um par de pardais que voaram para sua cela.

Em 1996, um vídeo bizarro de Speck, em 1988, foi divulgado ao público por um advogado anônimo. No vídeo, Speck, usando calcinha de seda e seios femininos cultivados com tratamentos hormonais contrabandeados, realiza sexo oral com outro preso, enquanto ambos usam grandes quantidades de cocaína.

Richard Speck internado no hospital / Crédito: Getty Imagens

 

A certa altura, um prisioneiro por trás da câmera perguntou a Speck por que ele havia matado as oito enfermeiras estudantes, às quais ele simplesmente respondeu: “Não era a noite deles” e riu.

Richard Speck morreu em 5 de dezembro de 1991, na véspera de seu 50º aniversário, de ataque cardíaco.


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