Matérias » Personagem

Salvador Dalí: 10 fatos surreais sobre um dos artistas mais excêntricos da História

Há exatos 31 anos, morria o maior nome do Surrealismo nas artes plásticas. Conheça curiosidades bizarras sobre o pintor espanhol

André Nogueira Publicado em 23/01/2020, às 09h00 - Atualizado às 10h35

Salvador Dalí
Salvador Dalí - Getty Images

Salvador Dalí foi um dos mais importantes artistas das Vanguardas Artísticas do início do século 20, sendo o nome mais proeminente, junto com André Breton, do surrealismo, corrente das artes plásticas que soma onirismo, psicanálise, psicodelia e simbolismo.

Nascido na Espanha em 1904, o excêntrico artista, inconfundível por seus bigodes alongados e pontiagudos, teve uma vida agitada e com detalhes tão insanos quanto sua própria personalidade. Morreu aos 85 anos, em 23 de janeiro de 1989, em sua cidade natal, Figueres.

Conheça 10 fatos inusitados sobre o mestre Dalí!

1. Ele era considerado a reencarnação do irmão

Dalí e sua jaguatirica / Crédito: Wikimedia Commons

 

Antes do surrealista, os pais do artista sofreram com a morte de um dos filhos, por gastroenterite. Logo depois de sua morte, a mãe engravidou novamente e, nove meses depois, nascia o Dalí que conhecemos. Por conta disso, seus pais, Salvador Dalí Cusí e Felipa Domènech Ferrés, deram-lhe o mesmo nome e passaram a considera-lo reencarnação do filho falecido.

2. A primeira exposição

Paisaje cerca de Figueras, primeira pintura de Dalí / Crédito: Wikimedia Commons

 

A primeira vez que Dalí expôs seus quadros foi em 1919, quando tinha dezesseis anos. Com apoio da família, realizou a exposição no Teatro Municipal de Figueres (hoje Teatro-Museu Gala Salvador Dalí).

Diante da proeza do rapaz, seu pai o mandou para Madrid, para que se formasse como pintor de qualidade. Estudou na Escola de Belas Artes.

3. A Década de Ouro

O Grande Masturbador, de 1929 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os anos 1930 foram o antro do desenvolvimento das Vanguardas Europeias, e no caos de Dalí, foi o ápice, em qualidade e reconhecimento, de seu trabalho. Envolto de um circulo de amigos artistas, foi nos anos 30 que Salvador teve suas principais exposições em galeria, além de vendas de quadros por valores estratosféricos. Foi nesse momento em que ele criou o seu método crítico-paranoico, em que mesclava realidade e sonho na produção de imagens.

4. Gala

Salvador e Gala / Crédito: Getty Images

 

Em 1929, ocorreu algo que mudaria  a vida do artista para sempre: recebeu um casal de amigos em sua casa em Cadaqués, Helena Ivanovna Diakonova, uma imigrante russa, e o poeta francês Paul Éluard. O inesperado é que nessa estadia, Helena, conhecida pelo apelido Gala, e Salvador se apaixonaram e, desde aquele momento, não se separaram mais.

Os dois se casaram em 1934, vivendo juntos até a morte da mulher em 1987. Gala foi a mais importante musa de Dalí, além de trabalhar com a curadoria de seu acervo.

5. Avida Dollars, o fascista

Detalhe do quadro O Enigma de Hitler / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em geral, os grupos surrealistas estavam ligados à luta da esquerda, muitos deles flertando com o comunismo, como Breton. No início de sua carreira, Dalí flertava com esses ideais, de maneira romantizada, mas com o tempo, foi se tornando mais reacionário, chegando a ponto de já ter defendido a monarquia e apoiado o ditador Francisco Franco. Além disso, ele tinha uma bizarra fissura por Hitler e morou na Itália fascista por vontade própria.

Diante disso, Dalí foi expulso do grupo formado pelos surrealistas da Europa em 1934 e considerado desertor do movimento. Além das ligações com o fascismo, ele também era aberto à lógica de mercado, vendendo várias artes para empresas americanas criarem logos. Dalí foi então apelidado por Breton de Avida Dollars (uma anagrama de seu nome com tom pejorativo), segundo Salvador por inveja.

6. Polímata

Crédito: Getty Images

 

Dalí era escritor, roteirista de cinema, escultor, designer, etc. Agindo em muitas frentes de arte, sua carreira múltipla foi incentivada em 1940, quando, por conta da invasão nazista na França, ele se mudou com a esposa para os EUA. Lá, foi designer de joias e desenhou peças de roupa para peças de teatro.

Lá, também publicou uma autobiografia e participou do roteiro de filmes do Hitchcock e da Disney, além de ilustrar revistas e livros.

7. Livro de Receitas

Capa do livro de Dalí / rédito: Divulgação

 

Salvador Dalí escreveu, na década de 1970, um livro de receitas chamado Les Diners de Gala (Jantares de Gala, numa tradução livre), em que, junto com a esposa, elaborou uma série de receitas ridiculamente extravagantes, no nível de suas obras. No livro, há fotos da montagem dos pratos, que são feitos de maneira estilizada, teatral, e quase impossível de serem reproduzidas. 

8. Animais de estimação

Dalí e seu tamanduá / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dalí, além de excêntrico em sua obra, provou ser extravagante na vida cotidiana. Um exemplo famoso é o fato de que o artista tinha alguns animais silvestres em casa, como de estimação. E, normalmente, eram animais de lugares distantes e pouco habituados com os lugares onde morava, como dois bichos brasileiros: uma jaguatirica e um tamanduá-bandeira.

9. Era uma casa muito engraçada

Casa de Dalí / Crédito: Getty Images

 

Outra prova da excentricidade de Dalí era uma casa que construiu na Catalunha, próxima à vila Port Lligat. Lá, apaixonado pela paisagem, construiu um de seus maiores imóveis. Adentrando a mansão, é possível observar um grande ovo, uma escultura peculiar de um homem muito grande caído no chão, em meio ao seu jardim, patos, pássaros, águias e corujas, cabras e até mesmo um leão, além de vasos de flores em moldes de xícaras de chá. 

O objetivo dessa arquitetura era criar o sentimento de confusão e a sensação do bizarro. Dentro da casa, também é possível sentir como se estivéssemos tentando sair de um grande embaraço, exatamente porque pequenos corredores conectam a salas e são construídos de maneira intercalada.

10. Fim da vida

Crédito: Getty Images

 

Dalí continuou desenvolvendo e aprendendo novas técnicas ate o fim de sua vida, interessando-se pelos hologramas em seus últimos dias. Também chegou a ilustrar um livro do Freud (Moises e o Monoteísmo), num momento em que cada vez mais se conectava com seu lado religioso.

Depois que Gala morreu, o pintor entrou em depressão, parando de se alimentar e se tornando mais recluso. Possivelmente tentou se matar, no episodio que resultou no incêndio de seu quarto, aos 80 anos. Quatro anos depois, morreu vítima de um ataque cardíaco gerado por pneumonia.


+ Saiba mais sobre Salvador Dalí:

1. Salvador Dali: The Paintings, de Robert Descharnes e Gilles Neret (2013) - https://amzn.to/2OZ69O4

2. Dalí, de Gilles Neret (2015) - https://amzn.to/2BkUlOf

3. Salvador Dalí, de Eric Shanes (2018) - https://amzn.to/33Jd2ai

4. Biografias - Salvador Dali (2013) - https://amzn.to/32DlXKB

5. Dalí. Les Diners de Gala, de Vários Autores (2016) - https://amzn.to/31vcljo

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível de produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.