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A Sangue Frio: O brutal crime por trás da famosa obra de Truman Capote

Entenda a notória maneira como Capote entrou na mente de dois criminosos evolvidos em um dos maiores assassinatos dos Estados Unidos

Alana Sousa Publicado em 23/02/2020, às 11h00

Dick Hickock e Perry Smith
Dick Hickock e Perry Smith - Wikimedia Commons

Nos anos 60, Truman Capote, revolucionou a literatura com a obra A Sangue Frio. O livro, que narra desde o brutal assassinato de uma conhecida família de Kansas até a execução dos assassinos, é até hoje um marco na história do jornalismo investigativo e, referência para qualquer um que queira escrever um romance de não-ficção.

Em 15 de novembro de 1959, a respeitada família Clutter foi encontrada morta em sua fazenda na cidade de Holcomb, Kansas, nos Estados Unidos. Os quatro membros: o pai Herbert, de 48 anos; a mãe Bonnie, de 45 anos; a filha de 16 anos, Nancy, e o filho mais novo, Kenyon de 15 anos, foram amordaçados e baleados por Richard Eugene Dick Hickock e Perry Edward Smith.

O crime teve ampla cobertura da imprensa local, por se tratar de uma família conhecida e pela gravidade, até então, não explicada das ações. Assim que soube da notícia, Capote resolveu viajar até o Kansas para cobrir a história, levou consigo a também escritora, e amiga de infância, Nelle Harper Lee. Juntos entrevistaram os assassinos e revelaram detalhes da chacina.

Truman Capote / Crédito: Wikimedia Commons

 

O Crime

Dick Hickock e Perry Smith se conheceram na prisão onde ambos cumpriam pena por crimes anteriores. O colega de cela de Hickock, Floyd Wells, era um antigo trabalhador da fazenda de Herbert Clutter, e contava histórias sobre como a família mantinha um cofre com muito dinheiro dentro de casa.

Fantasiando com a possibilidade de ficar rico e começar uma nova vida no México, Hickock quando se encontrou em liberdade contatou o ex-colega de cela, Perry Smith, para contar-lhe sobre o plano. Smith aceitou e juntos foram de carro até a propriedade de Clutter.

Chegaram lá no dia 14 de novembro, mas passaram um tempo no carro decidindo qual seria o plano. Finalmente entraram na casa, já era madrugada e todos estavam dormindo. Acordaram toda a família para então, achar o desejado cofre.

Após descobrir que não havia nada além de um par de binóculos, um rádio portátil e 42 dólares, os criminosos amarraram as vítimas a fim de procurar algum dinheiro espalhado pela casa. Sem sucesso, e com medo de mais tarde serem identificados, assassinaram com tiros as quatro pessoas.

Smith confessou que Hickock matara as duas mulheres, mas se negou a assinar a confissão. Segundo Capote, ele queria assumir a responsabilidade por todos os assassinatos, pois tinha pena da mãe de Dick. Hickock, por sua vez, sempre manteve a versão de que Dick teria cometido todos os homicídios.

Família Clutter / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na semana seguinte ao crime, já com o país em choque, os homicidas fugiram para o México. A investigação correu por algumas semanas, e só após a ligação de Floyd Wells a polícia pode identificar e começar uma busca pelos suspeitos.

Hickock e Dick foram presos em Las Vegas em 30 de dezembro de 1959. Ambos confessaram participação nas mortes e foram levados de volta para o Kansas para julgamento, que durou de 22 a 29 de março de 1960. Mesmo com uma tentativa de alegar insanidade no momento da atrocidade, o júri considerou os réus culpados e os condenou à morte — obrigatória para um crime brutal na época.

Hickock e Smith foram executados por enforcamento na Penitenciária Estadual do Kansas, em 14 de abril de 1965.

A Sangue Frio

O livro foi lançado em 1965, acompanhou Dick e Perry até o dia da execução. O lançamento foi um sucesso instantâneo e, hoje é o segundo livro de crime mais vendido na história.

A narrativa vai muito além da cobertura de um crime, com razões e consequência para a brutalidade. Capote consegue nos fazer imergir na história. Entendendo o que motivou o crime, e os diversos ângulos que ele engloba.

Dick e Perry após a condenação / Crédito: Wikimedia Commons

 

A complexa análise na vida dos assassinos mostra o que os levou até o momento crucial que mudou suas vidas. Capote permite que Dick Hickock e Perry Smith expressem suas visões e verdadeiramente expliquem o que aconteceu.

Existe uma linha tênue entre dar espaço para que um assassino conte sua versão e a romantização de uma situação tão sádica, que faz com que nós, leitores, em partes esqueçamos o assassinato em massa, e vejamos Dick e Perry como nada mais que dois homens comuns.


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