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Sobrinho de Adolf: William Hitler tentou chantagear o tio e terminou na Marinha Americana

Ele queria mordomias na Alemanha Nazista; podia ter morrido como um crápula, mas preferiu ser herói

Alana Sousa Publicado em 13/01/2019, às 10h00 - Atualizado em 14/01/2019, às 12h07

William Patrick Hitler
Getty Images

William Patrick Hitler nasceu em Liverpool em 1911, filho do meio-irmão mais velho de Hitler, Alois Hitler Jr. e de uma irlandesa, Bridget Dowling. Após seu pai, Alois, ir à Alemanha para lutar na Primeira Guerra, mãe e filho acabaram mudando-se para Londres. Em 1929, William conheceu seu tio em um comício do partido nazista. No ano seguinte, Hitler, o futuro ditador, enviou ao sobrinho uma foto autografada. Em 1933, Adolf Hitler já era ditador na Alemanha, e William foi lá para ver se poderia obter vantagens.

Apesar de Hitler ter conseguido diversos empregos para o sobrinho, ainda não era o suficiente. William então começou a ameaçar o tio, alegando que iria revelar ao público segredos de família - o que incluía a “informação” de que o avô paterno do ditador nazista era judeu (que é falsa). O jovem Hitler exigia uma posição de poder, sem sucesso decidiu ir embora da Alemanha.

Arquivo Nacional dos Estados Unidos

William foi para a Inglaterra, onde escreveu um artigo intitulado "Por que eu odeio meu tio". Seu artigo repercutiu muito e chegou ao renomado editor e empresário americano William Randolph Hearst, que convidou ele e sua mãe para os Estados Unidos para uma turnê de palestras e uma série de artigos. Quando a Segunda Guerra estourou em setembro de 1939, William e Bridget decidiram permanecer nos EUA.

O sobrenome pesou, e impediu que William conseguisse trabalho durante anos. Ele poderia morrer como um canalha, mas preferiu terminar como herói. Saiu do desemprego em 1944, quando resolveu se alistar nas forças armadas americanas (já tinha tentado anos antes, porém foi recusado pelo exército britânico). Escreveu então uma carta para o presidente Roosevelt, um dos trechos dizia: “eu sou um de muitos, mas pode prestar serviço a essa grande causa”. Finalmente, o FBI o liberou e ele se juntou à Marinha dos EUA.

William serviu como farmacêutico, e lutou muito longe de seu tio, no cenário do Pacífico. 

Quando a guerra terminou ele decidiu mudar seu nome para "William Patrick Stuart-Houston". Casou e teve 4 filhos, viveu uma vida sossegada em Long Island até morrer em 1987.