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Há 67 anos, morria Josef Stalin, um dos maiores tiranos da História

O ditador faleceu em 1953; no entanto, seu cadáver ainda levanta teorias da conspiração, que alegam que o óbito do soviético não foi natural

Isabela Barreiros Publicado em 05/03/2020, às 08h00

O líder soviético Joseph Stalin
O líder soviético Joseph Stalin - Divulgação/Klimbim

Em 28 de fevereiro de 1953, Stalin assistiu a um filme no Kremlin com os mais altos representantes do Estado da União Soviética. Estavam presentes Lavrenti Beria, chefe da NKVD, Nikita Khrushchov, político soviético que se tornaria primeiro-ministro após a morte de Stalin, Georgii Malenkov, líder do Partido Comunista da URSS e Nikolai Bulganin, militar e político. Após a sessão, seguiram para datcha de Kuntsevo, residência pessoal de Stalin, para um jantar. O que aconteceu depois desse encontro é questionado por inúmeros historiadores.

O que se sabe é que nem os guardas nem os membros de seu Estado-maior adentraram em seu quarto na manhã do dia seguinte, por mais que já passasse do meio dia. Nenhuma pessoa seria capaz de incomodar o tirano — mas ao chegar da noite, o guarda-costas de Stalin, Pyotr Lozgachev, decidiu ver o que se passava. E ele encontrou uma cena trágica: o homem estava deitado inconsciente no chão de seu quarto.

Stalin em uma de suas aparições políticas / Crédito: Klimbim

 

Ainda assim, os dirigentes não optaram por chamar assistência médica logo de imediato à descoberta da situação do líder soviético. Foi apenas depois de 12 a 14 horas que os médicos chegaram ao local para analisar as causas do mal estar do comunista, chegando à conclusão de que ele havia sofrido uma hemorragia cerebral. A demora agravou ainda mais a situação e Stalin teve que ser internado às pressas, mas não conseguiu sobreviver.

A morte de um dos maiores representantes da União Soviética data de 5 de março de 1953. No entanto, os questionamentos acerca das circunstâncias de seu falecimento permanecem até os dias de hoje e deram origem a inúmeras teorias e investigações sobre o evento.

Dois importantes historiadores russos deram uma guinada à hipótese de que Stalin foi assassinado por um de seus homens mais próximos. De acordo com Edvard Radzinski e Nikolai Dobryukha, seria ninguém mais ninguém menos que Lavrenti Beria o responsável pelo homicídio do georgiano. Eles utilizaram documentos anteriormente indisponíveis do Partido Comunista da URSS, do Estado soviético e ainda da KGB para embasar a teoria.

Radzinski foi atrás do segurança particular de Stalin, Peter Lozgachev, para tentar remontar o que realmente aconteceu na noite em que o soviético foi encontrado inconsciente. O testemunho do guarda afirma que os estadistas negaram deliberadamente o auxílio médico a Stalin, o que poderia ter causado sua morte, em primeiro lugar.

Ainda segundo o historiador russo, a causa do óbito do líder soviético foi, na verdade, por conta de envenenamento. Dobryukha analisa em seu livro “Como Stalin foi Morto” como foram usados veneno raros de serpente ou aranha foram utilizados para o assassinato.

Manifestação de luto pela morte de Stalin em 1953 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma evidência importante para fundamentar a hipótese é a fala do Ministro dos Negócios Estrangeiros do regime de Stalin, Viatcheslav Molotov, em uma reunião já após a morte do revolucionário comunista. Segundo Molotov, Beria disse ter sido o responsável por “salvar todos vocês [oficiais soviéticos] de Stalin”.

Além disso, os jornais que eram coordenados pelo chefe da NKVD noticiaram que "Stalin teve hemorragia cerebral em seu apartamento em Moscou na noite de 2 de março". Essa informação, porém, não era verdadeira, visto que ele havia morrido em sua residência pessoal em Kuntsevo, fora da cidade de Moscou.

Mas quais teriam sido os motivos que levaram o ex-camarada de Stalin a assassiná-lo? Radzinski lembra que os políticos tinham medo de que o regime do comunista levasse à Terceira Guerra Mundial. “Eles achavam que Stalin estava decidido a expandir o comunismo pela guerra. Mas Beria, Kruchóv e Malenkov entendiam que seria terrível um conflito contra os EUA porque a URSS, embora possuísse armas nucleares, era um país muito fragilizado economicamente”, explica o historiador em sua biografia “Stalin”.

Corpo de Stalin exposto na House of the Unions, em Moscou / Crédito: Getty Images

 

No período anterior a sua morte, o estadista soviético estava organizando brutais perseguições e campanhas repressivas. O Complô dos médicos, como ficaria conhecido o evento, foi uma conspiração dos médicos judeus em território soviético que, a mando do governo estadunidense, tinha como intuito assassinar os principais líderes do Partido Comunista da URSS, incluindo Stalin. O projeto de influências antissemitas teria assustado até mesmo os membros de seu governo.

Beria era o segundo homem mais poderoso da União Soviética, logo depois de Stalin, podendo ter sido responsável pelo complô para sua morte. Ainda sim, é importante lembrar que o comunista já estava com sua saúde degradada principalmente por conta de sua idade — ele faleceu aos 74 anos. Desde o final da Segunda Guerra, ele já sofria com a precária saúde, dando poucos discursos, produzindo menos material intelectual e inclusive tirando férias cada vez mais frequentes.


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