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Toninho do Diabo: Filho de Satã ou apenas um bizarro personagem?

O artista fez sucesso na televisão durante as décadas de 1990 e 2000, e existe no imaginário popular como uma figura satânica

Caio Tortamano Publicado em 14/03/2020, às 17h00

Personagem Toninho do Diabo
Personagem Toninho do Diabo - Divulgação

Antônio Aparecido Firmino poderia ser somente mais um anônimo brasileiro se não tivesse sido descoberto na década de 90, durante a exibição de um programa televisivo policial comandado por Carlos Massa, o Ratinho.

Em um dos quadros do programa 190 Urgente, o humorista Rodolfo Carlo de Almeida (ou simplesmente Rodolfo) apresentava uma parte mais leve e descontraída do show, e introduziu ao Brasil o personagem Toninho do Diabo. Designando a si mesmo como discípulo do Diabo e Embaixador de Lúcifer na Terra, o homem de capa preta e camisa vermelha apresentava um ar meio cômico que não condizia com as ideias sombrias que apresentava.

Imediatamente, a figura diabólica caiu nas graças do povo, que se impressionaram com a aparição. A partir daí, Toninho começou a comparecer em diversos programas e se tornar uma figurinha conhecida nas televisões brasileiras.

Porém, sua história teria começado bem antes, ainda nos anos 80. Em sua cidade natal, Jundiaí, ele era um artista não tão conhecido, e permaneceu até a sua primeira aparição no programa policial no total anonimato.

Além de ator, suas canções passaram a ser muito conhecidas na década de 2000 depois que o clipe de uma das suas músicas mais famosas, Profecias Brasileiras, foi apresentado no programa da MTV Piores Clipes do Mundo — por motivos óbvios, já que a produção era extremamente amadora.

Porém, foi um real sucesso e a expressão “eu taco fogo!” se tornou uma marca registrada de Toninho. Diversas vezes ele era convidado para programas em que debatia com figuras antagônicas, como Inri Cristo — basicamente Toninho do Diabo em uma versão católica, afirmando ser um representante de Deus na Terra.

Por incrível que pareça, a retórica de Toninho chamava atenção, e em um desses programas o ex-pastor presbiteriano Caio Fábio afirmou que ele se saiu muito bem argumentando a favor de Satã. Apesar disso, o cristão reiterou que ele não passava de um artista querendo lançar a própria carreira.

Essa dúvida permeou a mente de muitas pessoas, se tratava de uma pessoa fiel às suas convicções na existência de Satã e as práticas do satanismo, ou se tratava somente de um personagem vivido pelo carismático Antônio. Verdade é que hoje em dia ele aparece publicamente sem seu icônico traje, e diversas vezes é visto fora de personagem, mas a imagem que ele atrelou a si com Toninho do Diabo ainda é fortíssima.

Toninho (à dir.) sem seu icônico traje / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Suas atividades são diversas, tais como cantor, compositor, ator, roteirista, produtor e diretor de filmes para a internet (geralmente de baixíssimo orçamento). A mais curiosa de suas obras, O Ataque dos Pneus Assassinos, a trama conta a história de um estranho líquido saído de um meteorito que dá ao Dr. Toninho do Diabo a capacidade de dar vida para qualquer objeto.

Então, o Doutor criaria um exército de borrachas que seriam ajudantes do Diabo a arrecadar almas para serem levadas para o inferno. Além dessa obra, outras duas marcam a estreia do homem no circuito trash do Brasil, O Caçador de Almas e sua continuação, O Caçador de Almas II. Para Toninho, esses filmes são uma crítica social sobre a corrupção no país.

O próximo projeto de Toninho foi revelado e se trata da produção cinematográfica Hospital Amaldiçoado. Para o filme, do Diabo está a procura de pessoas essencialmente feias para viverem os personagem de seu longa. O teste do elenco foi feito em uma casa noturna que, antigamente, se chamava Madame Satã.

Ainda de acordo com a produtora de Toninho, a Agência Assombração, nenhum portador de deficiência física é aceito para os papéis, ele explica: “Não queremos que ninguém se entretenha às custas disso. Por isso, para não entrar em qualquer mal-entendido, evitamos”. De maneira cômica, ele foi mais específico e completou: “Queremos gente feia mesmo. Mas não pouco feia não. Tem que ser muito feia! Queremos trombada de caminhão com Maria Fumaça”.

Outra de suas inúmeras vertentes é o lado político. Concorreu a uma vaga como deputado federal por São Paulo nas eleições de 2014, mas angariou somente 919 votos e seu slogan "A coisa tá feia, a coisa tá preta. Então, vote no capeta!" não emplacou uma posição na câmara.

Anúncio político de Toninho do Diabo/ Crédito: Divulgação

 

Em 2019, se autoproclamou presidente do Brasil e passou a compartilhar nas suas redes socias medidas e leis com sacadas cômicas em referência ao satanismo.

Amante do samba e do carnaval, Toninho é presidente da escola de samba Império do Vale do Sol, e acredita que a cultura deveria ser uma das principais preocupações dos governantes.


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