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A trágica vida de Kim Jong-nam, meio-irmão de Kim Jong-un

Filho bastardo e preterido para o cargo de líder supremo de seu país, o norte-coreano foi assassinado sob circunstâncias misteriosas em 2017

Isabela Barreiros Publicado em 03/02/2020, às 18h30

Kim Jong-nam
Kim Jong-nam - Wikimedia Commons

Kim Jong-nam vivia uma vida nada esperada para o filho mais velho de um ditador que coordenava uma ditadura praticamente hereditária. Na Coreia do Norte, Kim Il-sung criou um regime político diferente do que anteriormente era visto no mundo comunista. Por mais que não assuma tal posição, foi instaurada uma “dinastia familiar”. Seguindo esses moldes, o poder seria passado de pai para filho, evento que aconteceu, até hoje, três vezes.

Esperava-se que esse modelo fosse seguido com a morte de Kim Jong-il em 2011. Kim Jong-nam, porém, não assumiu o poder, e ainda teve uma dura vida em consequência do regime que vigora ainda hoje no país.

Isso ocorreu principalmente devido ao fato de ele ser um filho considerado ilegítimo, pois não estava dentro do casamento. Kim Jong-il o teve com uma de suas amantes, a atriz norte-coreana Sung Hae-rim, que também era casada na época.

Naquela época, Kim Il-sung não aprovava o relacionamento do filho. Além disso, Kim Jong-il era o principal nome para assumir com a morte de seu pai, e um filho de relacionamento extraconjugal não seria um bom acontecimento para marcar sua trajetória. Logo no começo de sua vida, Jong-nam já sofria com essas consequências.

O filho bastardo do futuro ditador foi, então, criado isolado em uma mansão. Sua existência era praticamente um segredo. Acredita-se que ele tenha sido criado fora da Coreia do Norte, e que isso tenha dado a ele uma visão crítica ao regime.

Devido a isso, tanto o fato dele ser fruto de uma relação fora do casamento, quanto suas opiniões sobre a ditadura norte-coreana, Kim Jong-nam não chegou a ser considerado uma opção viável à sucessão de seu pai. Ainda assim, fez parte do sistema de segurança interna do país.

Kim Jong-un / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi apenas em 2010 que o mundo ficou sabendo sobre as desilusões do norte-coreano com o governo de sua família. Em entrevista ao jornal japonês Tokyo Shimbun, ele criticou a dinastia do país, chamou seu irmão Kim Jong-un de “fantoche” que não tinha habilidade de liderança e ainda alegou que o território entraria em colapso caso uma reforma política fosse implantada.

O norte-coreano foi assassinado no dia 13 de fevereiro de 2017, no aeroporto de Kuala Lumpur, em Sepang, na Malásia. A morte está cercada de mistério sobre quem poderia ter mandado matar o irmão mais velho do ditador, e suspeita que ele mesmo possa ter sido responsável por tal crime.

Kim Jong-nam teve um pano contendo um agente conhecido como VX — considerado uma arma química pela ONU — passado em seu rosto. Ele até pediu ajuda médica no hospital, mas isso não fez muita diferença no resultado: pouco tempo depois, Kim estava morto.

Queimar os olhos do norte-coreano foi o plano que deu certo para assassiná-lo. Outras tentativas teriam sido realizadas para acabar com a sua vida. Em 2012, um espião do país alegou que foi contratado para tentar simular um acidente de trânsito que poderia mata-lo, mas falhou.


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